Gestão da sala de aula: como criar melhores relacionamentos com os alunos

A média de alunos em cada sala de aula brasileira é de 16,3 crianças no ensino infantil, ao mesmo tempo, segundo dados do Censo Escolar 2017. Nas etapas seguintes do ensino, a situação fica ainda mais complicada: turmas de ensino fundamental têm cerca de 23 alunos cada. Já no ensino médio, esse número gira em torno de 30,4 . Se é um desafio manter a organização em uma sala de aula tão cheia, imagine conseguir estabelecer conexões significativas com cada um dos estudantes.

Por muitos anos, o modelo padronizado das salas de aula foi sinônimo de produtividade e o número de alunos aprovados nas seleções das universidades ainda costuma ser usado como o principal indicador da qualidade de ensino em muitas instituições. Mas o que as pesquisas mostram é que um dos principais fatores que contribuem para a qualidade da aprendizagem nada tem a ver com números. O que vale é a qualidade dos laços criados entre professor e aluno. A conexão é uma das grandes responsáveis pelo engajamento dos estudantes no conteúdo ou nas dinâmicas propostas, criando, consequentemente, experiências positivas com a escola, segundo o professor Clayton Cook, da Universidade de Minnesota (EUA).

gestão da sala de aula

 

3 passos para a melhor gestão da sala de aula

Clayton liderou um estudo com mais de 200 estudantes do quarto e quinto anos, com o objetivo de restaurar o relacionamento deles com seus professores e aumentar o sentimento de pertencimento à classe.

Baseada em uma abordagem denominada Estabelecer – Manter – Restaurar, a metodologia divide o relacionamento professor-aluno em três fases: o primeiro encontro, a manutenção ao longo do ano letivo e os momentos em que o relacionamento pode sofrer conflito. O experimento foi realizado também por um professor de ensino médio e alcançou resultados semelhantes.

Os três passos permitem que o professor consiga estabelecer melhor a gestão da sala de aula, construindo relacionamentos significativos e baseados na confiança.

Conheça a estratégia para cada uma dessas etapas:

1 – Estabelecer

Se a primeira impressão é a que fica, como diz o ditado, o primeiro contato no ano letivo é um momento extremamente importante para o relacionamento entre professores e alunos. Os professores foram orientados a começar o ano de forma positiva, nutrindo aspectos como conexão, confiança e compreensão.

Para isso, eles usaram a “estratégia do banco”: primeiro, marcaram encontros com cada um dos estudantes para conhecê-los a fundo. Depois, investiram em fazer “depósitos” na relação, ou seja, criar um sistema de feedback e conversas constantes que funcionam como um investimento para prevenir ou amenizar comportamentos não desejados.

Dentre outras estratégias, a comunicação positiva também é uma aliada dos educadores nos contatos iniciais e ao longo do relacionamento. Perguntas abertas, escuta reflexiva, declarações de validação, expressão de entusiasmo ou interesse e elogios ajudam os alunos – especialmente os tímidos ou introvertidos – a se engajarem em sala de aula.

2 – Manter

Todo relacionamento depende de manutenção diária para continuar saudável e transparente. Com professores e alunos, não é diferente. Apoiar o bem-estar emocional dos alunos ao longo do ano pode incluir tarefas simples e corriqueiras, porém muito eficazes na manutenção de um bom relacionamento.

Tomar nota das interações positivas e negativas de cada aluno é uma delas. A proporção ideal é de cinco para um. Ou seja, no total de interações entre o aluno e o professor,  apenas um quinto deve ser negativa. Se o relacionamento foge a essa regra com frequência, é hora de convidar o estudante para uma conversa.

Reconhecer o bom comportamento e perguntar, com frequência, como os alunos estão indo e qual tipo de suporte necessitam também contribuem para o acompanhamento próximo e frequente.

3 – Restaurar

Mal-entendidos e pequenos conflitos podem facilmente evoluir para um relacionamento quebrado, caso não sejam tratados no momento correto. Isso faz com que os alunos se sintam desinteressados ou menos dispostos a participar das atividades. A reconexão intencional por parte do professor é, portanto, maneira eficaz de restaurar as relações em sala de aula.

Assumir responsabilidade por suas ações – sem medo de pedir desculpas – e demonstrar empatia são alguns caminhos para isso. Outra estratégia é procurar se concentrar na solução, e não nos problemas.

Por fim, conseguir separar a atitude do aluno é importante para ter êxito ao criticar o comportamento, e não a pessoa. Rotular alunos como “estudantes problemáticos” só aumenta o risco de eles internalizarem o estereótipo e passarem a agir como tal.

Gostou das dicas? Depois de colocá-las em prática, conte-nos, em nossas redes sociais, quais foram os resultados alcançados. Aproveite também para descobrir como as escolas podem cuidar melhor da saúde emocional dos professores.

leia também

Como cuidar da saúde mental dos professores em tempos difíceis
continuar lendo
Ensino de programação: 7 dicas para quem está começando
continuar lendo
O que é cultura empreendedora e como estimulá-la na escola
continuar lendo

Quer ficar sabendo de tudo antes? Assine a
newsletter e receba novidades no seu e-mail.

x
área restrita
Usuário
senha
×