Gestão escolar na era pós-digital

Muito se fala sobre os desafios para alunos e professores na educação da era pós-digital. Ensino híbrido, baseado em competências e formatado em projetos. Professores que atuam como mentores e curadores de conteúdo. Mas, e a gestão escolar? Como a missão de criar outros modelos de práticas educacionais e traçar estratégias para inovação nas instituições de ensino é impactada pela tecnologia?

O tema foi o foco da palestra de Miguel Thompson, diretor-geral do Instituto Singularidades, durante a Bett Educar 2019, que provocou reflexão em torno das mudanças trazidas pela tecnologia para o nosso dia a dia e como elas impactam as salas de aula.

Entenda, no post a seguir, os desafios que a tecnologia traz para os gestores educacionais e quais os caminhos possíveis para a reinvenção das escolas.

Educação no mundo pós-digital

Antes de mais nada, é importante entender o que exatamente é a era pós-digital. Esse período nada mais é do que o tempo presente. Após uma grande onda de surgimento de outras tecnologias, estamos sentindo os primeiros efeitos delas no mercado de trabalho, nas relações sociais e, claro, na educação.

Com o amplo acesso à informação, por meio do barateamento e da melhor qualidade dos serviços de banda larga e da popularização de notebooks, smartphones, tablets e outros dispositivos eletrônicos, o aluno chega em sala de aula com uma visão de mundo muito diferente da que os jovens das décadas anteriores possuíam. Mais questionadores, eles não se contentam com respostas simples – estas, eles podem obter fazendo uma pergunta ao Google ou assistindo a tutoriais no YouTube – ou com atividades enfadonhas.

Surgem, então, estratégias como a Gamificação, a Sala de Aula Invertida e outros novos modelos de aprendizagem que compõem as Metodologias Ativas (link para observatório em aprovação) – uma ideia não tão recente, mas que ganha cada vez mais espaço nas discussões contemporâneas sobre a educação. Todas elas colocam o aluno no centro da aprendizagem e se valem de atividades dinâmicas para promover mais engajamento em sala de aula e efetividade na absorção do conteúdo.

Da mesma forma, os professores se veem diante da necessidade de rever sua forma de atuação, uma vez que já não são mais os detentores exclusivos do conhecimento. Sobre eles, Miguel Thompson diz que “a função está em declínio e é bom que esteja mesmo em crise. Agora, começam a surgir novos nomes como mediador, tutor, facilitador”, explica, referindo-se aos novos papéis que o educador deve desempenhar em sala de aula.

gestão escolar na era pós-digital

Como fazer gestão educacional pós-digital?

Diante desse cenário de transformações profundas nos modelos de aprendizagem e nas relações nas instituições de ensino, o que muda para o gestor educacional? Miguel elenca alguns dos principais desafios:

Gestor deve ter capacidade de síntese

Trabalhar cada vez mais como um estrategista e menos em funções operacionais é um dos desafios postos para os gestores em uma realidade em que muitas das tarefas administrativas e burocráticas tendem a ser absorvidas pela tecnologia e automatizadas. Além disso, a tendência é que a educação se torne cada vez mais horizontal e colaborativa, com diferentes atores participando mais ativamente da melhoria da qualidade de ensino. Por isso, exige-se mais capacidade de síntese ou de orquestrar os envolvidos no processo educacional.  “E essa síntese deve ser feita valendo-se de uma análise colaborativa para orientar a estratégia educacional”. Ou seja, o gestor deve atuar de forma a organizar e transformar esses feedbacks em ações concretas e inovadoras.

Contexto e relevância

Aproximar-se da realidade do jovem é outra necessidade para os gestores nos novos tempos. “Precisamos trazer o rigor acadêmico, porém com a cultura jovem”, afirma Miguel. Entender as novas tecnologias, a linguagem e a forma de pensar dos alunos vai dar ao gestor ferramentas para propor atividades que realmente façam sentido e gerem engajamento real dos estudantes.

Imaginação é coisa séria

Inovação acontece a partir da imaginação. O exercício do “e se”, muito comum no Design Thinking, por exemplo, é, na opinião de Miguel Thompson, fundamental para que a escola vislumbre novas possibilidades e expanda sua atuação. “A escola hoje ainda é pouco imaginativa. A imaginação é que  leva ao movimento”, afirma ele, citando como exemplo o surgimento da cultura maker e das metodologias ativas.

Diálogo e horizontalidade

Multidisciplinaridade, troca de experiências, colaboração, diversidade. Essa é a cara da educação do futuro. E o gestor educacional tem papel importante em garantir tudo isso, gerindo as diferentes vozes que passam a fazer parte do processo educacional. “Ele tem a função de criar um empreendimento humano e de promover a confluência das redes de experiências”, explica Miguel. Isso inclui manter relações mais horizontais com toda a comunidade escolar, incluindo os familiares, e romper as “desconexões” causadas pela cultura digital, como o narcisismo e o egocentrismo.

Visando aprofundar seu conhecimento sobre o assunto ainda mais, confira a entrevista completa que fizemos com Miguel Thompson durante a Bett 2019.

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