Conheça 4 iniciativas de Educação Empreendedora premiadas no Brasil

Você sabe o que é Educação Empreendedora? E você tem conhecimento de como colocar o conceito em prática na sua instituição de ensino? Muitos educadores e gestores educacionais, embora estejam familiarizados com a ideia da Educação Empreendedora, ainda não têm referências práticas de como aplicá-la. Isso porque esse tipo de educação ainda é uma ideia relativamente recente no Brasil e muitas vezes vem acompanhada de seu entendimento mais restrito, ligado à Administração de Empresas ou a criação de negócios.

Em um entendimento mais amplo, adotado pelo Sebrae, a Educação Empreendedora compreende iniciativas diversas que estimulam as competências empreendedoras, ou seja, o ou um conjunto de competências que permitem que o indivíduo seja capaz de tirar do papel suas ideias, seja no âmbito profissional, seja no âmbito pessoal, tornando-se autônomo e protagonista das próprias escolhas.

Pensando nisso, neste ano, o Sebrae lançou a primeira edição do Prêmio Sebrae de Educação Empreendedora, iniciativa que visa disseminar as práticas de Educação Empreendedora, incentivando o surgimento de ações em todo o país e reconhecendo os educadores que fazem um bom trabalho nesse sentido. Os ganhadores foram anunciados no ConheCER, evento anual de Educação Empreendedora realizado pelo Sebrae, que em 2019 ocorreu em Florianópolis, no mês de outubro. Conheça as iniciativas que levaram Ouro em cada uma das categorias:

 

Ensino fundamental: Cooperativa Mirim (Cooperativa Educacional de Linhares (CEL - ES)

O Cooperativa Mirim é um projeto interdisciplinar, realizado com os alunos das séries finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, baseado nos sete princípios do cooperativismo. Vejamos: adesão livre e voluntária, gestão democrática, participação econômica, autonomia e independência, educação, formação e informação, intercooperação e interesse pela comunidade. No decorrer dos trabalhos, os alunos criaram uma cooperativa de doces, sendo designados os diretores e os conselheiros e estabelecida toda a estrutura e os preceitos para o funcionamento de uma cooperativa.

Marketing, educação financeira, gestão democrática e empreendedorismo são questões debatidas sempre nas reuniões entre professores e alunos, que decidem em assembleia quais serão os rumos da cooperativa e como será investida a receita gerada pela venda dos produtos.

Foto: Folha Vitória.

Ensino médio: Desafio Lourdinas de Empreendedorismo e Inovação (Escola Virgem de Lourdes - PB)

O Desafio Lourdinas de Empreendedorismo e Inovação, ou DLEI, busca desenvolver competências, habilidades e atitudes que possibilitem a inserção do aluno do ensino médio no mundo do empreendedorismo e da inovação, por meio da abordagem de projetos. Distribuído em times, que podem variar de 6 a 12 estudantes e de 1 a 2 professores orientadores, os jovens escolhem os temas do DLEI com base na Campanha da Fraternidade (CF) ou na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). Em uma semana de inovação e criatividade, organizada pela escola, eles apresentam suas ideias iniciais para especialistas externos. A partir daí, são avaliados e recebem recomendações e mentorias. Depois, passam por uma bateria de capacitação: Design Thinking, Business Model Generation (Lean Canvas), Drone Project and Aplication, Android Programming Language, Arduino Programming Language, Elevator Pitch e Minimum Viable Product.

Ao final da semana, cada time já sai com o seu modelo de negócios pronto, além de toda a estratégia de desenvolvimento da solução para o seu problema e a definição das principais tecnologias e outros recursos que serão necessários para que cheguem ao seu protótipo ou produto (MVP), que é desenvolvido nos quatro meses seguintes.

A escola e seus parceiros premiam os dois melhores times ou empreendimentos. Os membros do time de Ouro recebem passagem e hospedagem em São Paulo para participar da FEBRACE USP no ano seguinte. Os membros do time de Prata são premiados com deslocamento e hospedagem para que visitem a fábrica da Jeep em Pernambuco, como também visitas em vários fablabs em Recife e em Caruaru.

Ensino superior: Projetos Integradores Voltados à Arquitetura de Interiores (Centro Universitário de Várzea Grande - UNIVAG - MT)

Criar projetos de arquitetura que desenvolvam as competências empreendedoras dos alunos da UNIVAG e, ao mesmo tempo, contribuam para a educação municipal. Na disciplina Projeto Integrador, que faz parte da grade do curso de Arquitetura e Urbanismo, as demais disciplinas e conhecimentos do semestre são trabalhados de maneira transversal e prática a fim de viabilizar e executar um projeto de arquitetura para unidades de educação infantil.

Em função disso, os alunos identificam as necessidades apontadas pelos gestores e pelos professores das unidades de ensino que vão subsidiar a elaboração do projeto. A próxima etapa, com o projeto aprovado, é  a de arrecadação dos diversos tipos de material para executar a obra seguindo um cronograma. Além do projeto paisagístico, os estudantes cuidam do projeto de interiores, que tem como objetivo reformar salas de aula e produzir móveis. Todo o material e a execução dos dois projetos são gratuitos para o município. Desde 2016, quando a iniciativa começou, já foram reformadas sete creches de comunidades carentes em Várzea Grande.

Educação Profissional: Programa de Projetos Integradores (Senai - RS)

Apesar das iniciativas frequentes do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) de aproximar seus programas de formação das competências exigidas pelo mercado de trabalho, a unidade do Rio Grande do Sul sentia que ainda poderia fazer mais no sentido de trabalhar as competências empreendedoras, estimulando seus alunos a se tornarem protagonistas de suas carreiras, lançando soluções próprias no mercado.

Por isso, o Senai RS decidiu incrementar seu programa de formação, inserindo um desafio prático por meio de um projeto baseado em situações concretas, de modo que os alunos pudessem pensar e desenvolver soluções para a indústria. Além de os desafios partirem de organizações reais, os projetos contam com fase de mentoria, modelagem de negócio e prototipagem e, ao final, são submetidos a uma banca julgadora. Dentre as características trabalhadas, estão a iniciativa, a capacidade de negociação, o planejamento, a gestão de projetos e até mesmo a liderança, já que os trabalhos são realizados em grupos de até cinco alunos e um professor orientador.

Quer saber mais  do poder transformador da Educação Empreendedora por meio de um case inspirador? Conheça a história de Arnóbio Morelix, ex-aluno da Escola do Sebrae, que passou por grandes instituições de pesquisa e levou, no último Global Entrepreneurship Congress (Congresso Global de Empreendedorismo – GEC 2019), o prêmio considerado o “Oscar do Empreendedorismo”, na categoria Research Champions (Campeões de Pesquisa).

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