O que é cultura empreendedora e como estimulá-la na escola

Por que se tem falado tanto de cultura empreendedora no contexto escolar? Com um mercado de trabalho em profunda transformação, não seria exagero dizer que o futuro do trabalho é empreendedor. O aumento do número de startups, o movimento maker e as mudanças nas configurações físicas dos espaços de trabalho são alguns indícios de que o empreendedorismo em suas mais diversas formas é uma tendência para os próximos anos.

E como não podia deixar de ser, essa mudança impacta diretamente a educação. No mundo em que a tecnologia fará grande parte dos trabalhos operacionais, ser capaz de criar soluções para os problemas fará dos jovens de hoje, profissionais de destaque no futuro. 

Diante de turmas nativas digitais, acostumadas desde cedo a ter o conhecimento disponível na palma da mão, a responsabilidade da escola vai se modificando. O anúncio de uma nova revolução industrial, a quarta, só torna a questão ainda mais complexa.

Nesse contexto, faz sentido pensar em estratégias para tornar a escola um espaço que respira empreendedorismo e contribui para formar indivíduos que são protagonistas de suas próprias vidas, agindo com autonomia e senso crítico, essências da mentalidade empreendedora. Veja os motivos a seguir.

O que é cultura empreendedora?

O entendimento desse conceito por completo talvez seja o ponto crucial para o desenvolvimento de uma estratégia que faça sentido para cada contexto escolar. Ou seja, mais importante que pensar sob qual forma a cultura empreendedora será aplicada, é essencial entender quais comportamentos a integram.

Pensando sob esse viés, o termo é definido por um ambiente capaz de estimular as características do empreendedorismo, como iniciativa, autoconfiança, colaboração, criatividade, resiliência e planejamento.

Além disso, esse tipo de cultura se faz presente quando a escola incentiva alunos a desenvolver projetos,  quer pessoais, quer da turma, desenvolvendo a capacidade de tirar ideias do papel, trabalhar colaborativamente e ter uma visão voltada para a resolução de problemas. E claro, só ocorre quando o ambiente de ensino enxerga o erro como forma de aprendizado e estimula a perseverança para seguir testando uma ideia.

O que uma escola pode ensinar pensando dessa forma?

Muito mais do que mostrar a um aluno como criar o próprio negócio, a cultura empreendedora tem a capacidade de fortalecer as seguintes competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC):

  • Pensamento crítico: a cultura empreendedora faz com que os alunos se interessem por entender o contexto de forma mais profunda, porque essas informações serão essenciais para a conformação de um problema – assim como sua possível solução. Antes de tirar qualquer ideia do papel, esse tipo de olhar para o mundo os fará investigar, debater e ir além de ideias preconcebidas.
  • Pensamento criativo: uma escola versada nessa cultura é aquela capaz de estimular a criatividade em estudantes. Para isso, deve ser um espaço que acolha a diferença, amplie o repertório da turma, estimule tanto o questionamento quanto a constante inconformação.
  • Autoconhecimento: quando inclui essa cultura no chão da escola, o educador também fará com que o aluno reconheça seus pontos fortes e sua fragilidade – e atue diante deles. Isso porque, visando mobilizar agentes no desenvolvimento de projetos, o estudante deverá entender como pode contribuir para a solução, assim como entender o que precisa desenvolver com vistas a ajudar em ideias futuras.
  • Comunicação e argumentação: um dos aspectos mais ricos da cultura empreendedora é sua capacidade de estimular a colaboração e a mobilização de atores distintos para a resolução de problemas. Ao entrar na escola, pode ser a chance de estudantes exercitarem suas habilidades de se comunicarem de forma clara e empática, bem como de convencerem sobre os aspectos positivos de suas ideias.
  • Responsabilidade e cidadania: uma escola que mobiliza alunos em torno da busca por soluções para problemas reais da comunidade também contribui a fim de que estudantes entendam a importância da própria ação, e da autonomia, para a criação de uma sociedade mais justa, solidária, inclusiva e ambientalmente responsável. É por isso que cabe à escola o desafio de incluir temas complexos da forma mais abrangente e crítica possível.

De maneira mais indireta, as demais competências da BNCC também ganham espaço em uma escola que estimula a cultura empreendedora.

Além delas, esse conceito também diz respeito a espaços que fortalecem o sentimento de dono, a liderança e a perseverança de estudantes. Também pode ser a forma ideal destinada a criar uma sala de aula marcada pela inovação.

3 formas de fortalecer a cultura empreendedora na escola

Você já viu como incluir o empreendedorismo no contexto escolar pode ser importante para a formação de um espaço ideal para o fortalecimento de competências importantes. Como fazer, porém, com que uma instituição de ensino dê esse salto? Veja a seguir 3 caminhos possíveis.

  1. Aproxime a escola da comunidade: quanto mais presente no dia a dia escolar, mais consciente estará o aluno das questões que afligem o local onde vive. E mais importante: ele entenderá que sua atitude pode ser, sim, relevante.
  2. Crie espaços para experimentação: independentemente da forma escolhida, as instituições de ensino precisam estimular seus alunos a testar suas ideias, a tirá-las do papel. Ainda que deem errado, é a chance para fortalecer a iniciativa e a perseverança na turma. Esses ambientes também podem contribuir para que a criatividade e a inovação estejam cada vez mais presentes.
  3. Estimule a interdisciplinaridade: inclua a complexidade da sociedade no ambiente escolar, criando projetos interdisciplinares. Pode ser a forma ideal de mostrar como um mesmo problema é atravessado por diversos fatores – e como uma solução inovadora é justamente aquela que os considera.

Além disso, é essencial que o professor também tenha atitudes que se aproximem do conceito de cultura empreendedora. Ou seja, ele também precisa agir com liderança, autoconhecimento, perseverança e colaboração. E também deve estar atento a outras cinco habilidades, muito importantes na educação 4.0.

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