Educação Empreendedora e Ensino do Empreendedorismo

QUAL A DIFERENÇA?

Entenda a diferença entre Educação Empreendedora e Ensino do Empreendedorismo

O termo Educação Empreendedora é um conceito relativamente novo ao ouvido dos brasileiros.

Por essa razão, algumas pessoas ainda se confundem e acreditam que estudantes formados com base na cultura empreendedora sairão das escolas, direcionados para serem exclusivamente empresários, sabendo como abrir uma empresa, organizar finanças, elaborar e implementar um Plano de Negócio, dentre outras atividades do mundo empresarial. Entretanto, a Educação Empreendedora vai muito além disso.

A Educação Empreendedora visa estimular no estudante o pensamento crítico e o desenvolvimento de habilidades exigidas pelo século XXI. Ou seja, uma instituição que implementa a Educação Empreendedora com seus alunos lhes dá a oportunidade de desenvolver competências como a iniciativa, capacidade de solucionar problemas e trabalhar em equipe, contribuindo assim para a sua formação nas dimensões pessoal, profissional e relacional.

Sendo assim, a fim de desmistificar conceitos errôneos ou distorcidos, neste Observatório, você entenderá quais as diferenças entre a Educação Empreendedora e o ensino do Empreendedorismo e como ambas funcionam na prática.

Boa leitura!

Qual o objetivo da Educação Empreendedora?

A Educação Empreendedora objetiva desenvolver no estudante habilidades que o auxiliem na implementação de projetos de vida. Em países desenvolvidos, como Estados Unidos e os da União Europeia, a Educação Empreendedora é uma importante referência. A Comissão Europeia, inclusive, desenvolveu o Quadro de Referência das Competências para o Empreendedorismo – Entrecomp, uma vez que o empreendedorismo é compreendido como uma das oito competências necessárias para uma sociedade baseada no conhecimento.

No Brasil, a Educação Empreendedora é uma proposta educacional relativamente nova e se encontra na fase inicial de incorporação pelas escolas, como afirma Fernando Dolabella, consultor, palestrante e disseminador da cultura empreendedora:

A educação empreendedora no Brasil difere daquela nos países desenvolvidos: aqui as variáveis que definem a nossa ética e a nossa estratégia educacional advêm de contingências não encontradas lá: a miséria e os mecanismos históricos de sua preservação.

Uma das importantes estratégias para mudar esse cenário é a proposição da BNCC (Base Nacional Comum Curricular pelo Ministério da Educação, que pela primeira vez traz competências gerais relacionadas à Educação Empreendedora, além de possibilitar o nivelamento da qualidade do ensino nas redes públicas e privadas.

A BNCC é um direcionamento para a elaboração dos currículos de todas as escolas do Brasil. O objetivo é que, ao longo dos anos, os estudantes realizem atividades que estimulem o desenvolvimento das competências exigidas pelo século XXI, como autonomia, criatividade e inovação, construindo uma postura efetivamente empreendedora na sua compreensão mais ampla.

Nesta leitura, BNCC na prática, você conhecerá recursos que contribuem com a adaptação à BNCC.

Sebrae e a Educação Empreendedora

A Educação Empreendedora, como referencial pedagógico nas escolas brasileiras, é uma novidade. Desde 2013, porém, o Sebrae trabalha com a cultura empreendedora mediante parcerias com diferentes instituições de ensino e que representam a educação no Brasil.

O Programa Nacional de Educação Empreendedora (PNEE) forma professores e toda a equipe de gestão escolar com metodologias exclusivas voltadas para o desenvolvimento da Educação Empreendedora. Os docentes recebem, gratuitamente, material e assessoria pedagógica para a implementação da cultura empreendedora em sala de aula. Os estudantes podem participar de diferentes cursos e trilhas de aprendizagem voltadas para o desenvolvimento de competências empreendedoras e construção do seu Projeto de Vida.

Atualmente, a iniciativa já formou mais de 490 mil professores, o que resultou em 9 milhões de estudantes beneficiados com o Programa. O PNEE conta com diversos serviços que variam conforme as necessidades de cada público. Veja alguns deles:

Jovens Empreendedores — Primeiros Passos: Desenvolvido para alunos do Ensino Fundamental, o curso aguça a curiosidade e o pensamento crítico dos participantes, ajudando-os a entender e a planejar as etapas para a concretização de seus sonhos.

Empreendedorismo para a Educação Superior: Disciplina, com carga horária de 80 horas, que leva o debate em torno do comportamento empreendedor aos alunos do Ensino Superior, orientando-os sobre a construção de um modelo e a elaboração de um Plano de Negócios.

Crescendo e Empreendendo: Com foco nos alunos que desejam mergulhar a fundo nos desafios do mercado de trabalho, a formação prepara esses jovens para identificar oportunidades e criar soluções.

Neste post, Conheça o Programa Nacional de Educação Empreendedora, você pode saber mais sobre o projeto.

Educação Empreendedora

Ensino do Empreendedorismo

Como a cultura empreendedora é relativamente nova do ponto de vista de um referencial educacional, algumas pessoas confundem o conceito de “Educação Empreendedora” com o “ensino do empreendedorismo”.

Quando falamos de Educação Empreendedora estamos falando do desenvolvimento de competências essenciais para que o estudante atue de forma segura, contributiva e plena em todas as dimensões da sua vida, solucionando problemas, identificando e criando oportunidades e construindo seu Projeto de Vida. Já quando falamos de empreendedorismo, por sua vez, estamos nos referindo ao ensino especificamente voltado para a criação, implementação e gestão de um negócio próprio, podendo ser empresarial, social ou ambiental.

Dolabela ressalta que “o empreendedor é alguém proativo, que não espera ser ensinado, isto é, ele compreende a sua necessidade e vai em busca do aprendizado. É uma pessoa curiosa que aprende e ensina os demais, explicando o passo a passo de como chegou ao objetivo, incluindo os obstáculos e as frustrações, de forma inspiradora”. É muito importante observar como estas competências do empreendedor não estão relacionadas exclusivamente com a criação e gestão de um negócio, podendo ser colocadas em prática em diferentes dimensões da vida.

Já Louis Jacques Filion, pedagogo, reforça que a Educação Empreendedora não está centrada na criação de um negócio, mas sim centrada no indivíduo: “O desenvolvimento da carreira empreendedora não envolve apenas o emprego ou trabalho em um pequeno negócio, ganhando maior amplitude e passando a incluir o trabalho junto aos negócios da família, as microempresas, o autoemprego, o empreendedorismo ecológico, o empreendedorismo tecnológico, assim como outros tipos de empreendimento no setor dos grandes negócios”.

Educação Empreendedora na prática

Com o objetivo de fomentar a Educação Empreendedora nas instituições, o Sebrae realiza o Prêmio Sebrae de Educação Empreendedora, que visa estimular, reconhecer e divulgar a Educação Empreendedora no Brasil.

Com premiações em níveis estadual, regional e nacional, desde 2014, a iniciativar econhece e valoriza os professores que tenham implementado práticas criativas e inovadoras para desenvolver competências empreendedoras em seus alunos.

O prêmio tem o potencial de oferecer ao ecossistema educacional projetos inspiradores que podem dar origem a novas ações de Educação Empreendedora em outros lugares.

O prêmio, além de reconhecer e valorizar os professores que tenham implementado práticas criativas e inovadoras para desenvolver competências empreendedoras em seus alunos, têm o potencial de oferecer ao ecossistema educacional projetos inspiradores que podem dar origem a novas ações de Educação Empreendedora em outros lugares.

Vitor Roberto Tioqueta, diretor-superintendente do Sebrae/PR, ressalta a importância do prêmio para a promoção da Educação Empreendedora nas instituições e o engajamento dos envolvidos – estudantes, professores e diretores. Segundo Vitor:

Promover a educação empreendedora em todos os níveis é estratégico para o Sebrae. Queremos valorizar iniciativas que despertem competências múltiplas, capacidade de enfrentar novos desafios e promover transformações na vida profissional e pessoal. Acreditamos na transformação e num mundo melhor através da educação e, principalmente, no investimento em competências empreendedoras.

Que tal conhecer algumas experiências de quem já está colocando em prática, e com sucesso, a Educação Empreendedora? Vamos lá!

Projeto Ler é Crescer

Em 2015, a diretora Clelma Rodrigues Martins, da Escola Estadual Coronel Filomeno Ribeiro, em Minas Gerais, iniciou o projeto ‘Ler é Crescer’, que visa estimular a leitura entre os alunos.

Após participar de um seminário sobre Educação Empreendedora realizado pelo Sebrae, com o auxílio de especialistas, a diretora implementou a cultura na escola. Em 2019, os estudantes do 1.º ao 5.º ano conquistaram o primeiro lugar do Prêmio Sebrae de Educação Empreendedora com a iniciativa.

Para incentivar o engajamento entre os estudantes, a escola criou o ‘leuro’, moeda fictícia que pode ser usada para comprar brinquedos, doces ou material escolar sempre que o estudante adquirir um livro. Posteriormente à leitura, ele deve explicar para a turma o que aprendeu com a história.

Além disso, uma vez por ano, a escola realiza a Feira “Aprender, Crescer e Empreender”, na qual são montadas barracas com alimentos cultivados pelos próprios estudantes: “Os alunos pintaram os pneus, juntamente com os servidores, plantaram as mudas, ajudam a regar, preservam o jardim. Tudo é construído junto”, enfatiza a diretora.

Educação Empreendedora: Sonhos e Práticas

Na Escola Estadual Américo Martins, localizada em Montes Claros/MG, a professora Sande Polyana Silva Almeida percebeu que os alunos do Ensino Médio estavam desinteressados e não tinham perspectivas para o futuro.

Após consultoria com especialistas do Sebrae, a professora criou o projeto ‘Educação Empreendedora: Sonhos e Práticas’, contemplando estudantes do 8.º ano do Ensino Fundamental a 3.º série do Ensino Médio. Estudantes e professores foram capacitados a partir da cultura empreendedora, participando de dinâmicas, palestras e cursos e desenvolveram diversas competências como:

Criação e busca de oportunidades Iniciativa e proatividade Comprometimento Elaboração de metas e gerenciamento de riscos

Como ação de culminânica, os professores promoveram o ‘Dia das Oficinas Empreendedoras’, com atividades para estimular o conhecimento e participação dos estudantes em relação a áreas e temáticas variadas como adubo orgânico, hortas, jardim vertical, sabão sustentável, brigadeiro gourmet, dentre outros.

Ao término, os estudantes participaram de um debate e apresentaram o que aprenderam durante o evento, identificando quais oportunidades sustentáveis encontraram e o que podem levar desses aprendizados e práticas para a vida.

Sande Polyana afirma que, no momento posterior ao projeto, ela notou grande evolução na aprendizagem e na motivação dos estudantes: “Alguns alunos continuaram as empresas e outros planejam abrir o próprio negócio. O espírito empreendedor tomou conta da escola. E o desânimo e a falta de esperança e autoestima ficaram mais distantes dos nossos jovens”.

Educação Empreendedora: Sonhos e Práticas está no CER Histórias. Acesse a história completa.

A realidade do Empreendedorismo no Brasil

Antigamente, acreditava-se que as pessoas nasciam, ou não, empreendedoras. E, por essa razão, o empreendedorismo não podia ser ensinado. Entretanto, conforme a Revista Científica Principia, hoje, é possível que o empreendedorismo seja aprendido por todos. Contudo, ainda é necessário um trabalho mais efetivo para que os empreendedores reconheçam a necessidade de ampliar os seus conhecimentos e se especializarem cada vez mais.

Em países como os Estados Unidos, existem diversos cursos de empreendedorismo e novos negócios para os níveis educacionais do Ensino Médio e Superior.

Os norte-americanos reconhecem o Empreendedorismo como uma ciência. De acordo com um estudo americano feito pelo Real Clear Public, 51,4% dos empreendedores têm Ensino Superior completo, 19,2% têm o Ensino Médio completo, e apenas 3,6% não o concluíram.

Além disso, no DataSebrae, temos dados sobre o ambiente de negócios nos estados brasileiros. Confira aqui!

51,4%

dos empreendedores têm Ensino Superior completo,

19,2%

têm o Ensino Médio completo, e apenas

3,6%

não o concluíram.

Tal contexto reflete diretamente na economia do país, que, atualmente, conta com 30 milhões de pequenas empresas, representando 50% do Produto Interno Bruto (PIB), como afirma o Observatório Internacional Sebrae, contra apenas 30% do Brasil, dados do Ministério da Economia.

Além de uma participação reduzida no PIB, o nível educacional dos empreendedores também deve ser considerado. O GEM (Global Entrepreneurship Monitor) aponta que o maior número de empreendedores se encontra em pessoas com Ensino Fundamental incompleto (23,2%).

Marcos Hashimoto chama a atenção para essa problemática e afirma que a falta de conhecimento é consequência de uma cultura errônea que defende que quem se torna empreendedor é aquele que não gosta de estudar’.

Os próprios empreendedores querem distância do meio acadêmico. Seu preconceito advém da ideia de que Empreendedorismo não se ensina, se faz. Histórias de empreendedores que abandonaram a escola para empreender ganharam notoriedade com muita rapidez, enaltecendo a enorme distância entre esses dois mundos. A consequência direta é que os que querem empreender não vão buscar na escola a sua formação. Em vez disso, preferem aprender por conta própria e se inspirar nas histórias de outros empreendedores’, afirma.

Mas será que existe alguma estratégia para contribuir na superação desse desafio? De que forma é possível pensar na ampliação da formação dos empreendedores no Brasil?

Ensino do Empreendedorismo, na prática

Ainda que, no Brasil, o número de empreendedores com Ensino Superior ou especialização seja baixo, 12%, conforme levantamento do GEM, é possível encontrar grandes histórias nas quais podemos nos inspirar. E são essas histórias que você vai conhecer agora!

A FGV (Fundação Getúlio Vargas) conta com o FGVcenn, projeto que visa disseminar o Empreendedorismo no Brasil. Por meio de workshops, revistas, cursos e diversos outros projetos, o FGVcenn objetiva contribuir para a ampliação da formação dos empreendedores, aperfeiçoando a sua prática e contribuindo para que sejam capazes de gerenciar seus negócios com mais qualidade, criando oportunidades e contribuindo para o sucesso de suas empresas.

O foco central da FGVcenn é o Empreendedorismo Social; por essa razão, conta com uma gama de especialistas que busca espalhar conhecimento de forma pública e independente. Além disso, mensalmente, o projeto realiza ações gratuitas com foco na propagação do ensino de Empreendedorismo, Educação Financeira, Sucessão Familiar, Marketing Digital, Direito Tributário e outros. Conheça agora alguns resultados:

Preta Hub

Criada por Adriana Barbosa, a Preta Hub é uma plataforma que une empreendedores negros e os capacita profissionalmente seguindo quatro etapas:

Criação Produção Distribuição Consumo

A iniciativa também conta com programas de suporte aos empreendedores negros, como o Afrolab, nos quais, durante seis dias, os empreendedores aprendem a criar e a produzir seu produto. Em seguida, montam um Plano de Vendas para toda a produção e o exibem na Feira Preta, que acontece uma vez ao ano.

Tendo como foco a exposição e a venda dos produtos e serviços gerados pela comunidade negra, a Feira Preta já recebeu mais de 700 expositores do Brasil e da América Latina e movimentou cerca de R$ 4 milhões no decorrer dos 18 anos de realização, desde a sua criação. Além disso, foi a mola propulsora para a fundação da Preta Hub.

Em uma entrevista para o portal Terra, Adriana Barbosa explica o que a motivou a criar a Feira Preta e a Preta Hub: “A população negra, no Brasil, ultrapassa os 50% e, pra chegar nesse número, é um processo de autodeclaração. Os negros se autodeclararem negros. E, quando o negro se autodeclara, ele começa a procurar por produtos e serviços que o referende, que fortaleça a sua identidade”.

Como resultado da inovação e da visibilidade à comunidade negra, em 2019, Adriana Barbosa ganhou o Troféu Grão, que visa estimular o Empreendedorismo Social.

Carambola

Fundada, em 2013, pelo programador e transexual Gustavo Glasser, a empresa social Carambola acolhe a comunidade LGBTQI+, em sua maioria transexuais, e a prepara para o mercado de Tecnologia da Informação (TI).

A ideia surgiu após Gustavo identificar que, mesmo com elevada escassez de profissionais qualificados para área de TI, onde de acordo com o Sebrae, apenas 20 mil profissionais são formados por ano, o perfil majoritário demandado para essa área de atuação ainda diz respeito ao homem, hétero e branco.

“Existem hoje 471 mil vagas em aberto; como é possível, então, você preencher as vagas que têm hoje? Ou você aceita que precisa colocar diversidade ou você não vai ter essas pessoas pra entregar o resultado.”, afirma Gustavo Glasser.

Um dos diversos diferenciais desse negócio social é o pagamento realizado aos treinandos até se colocarem no mercado de trabalho. E ainda: toda a equipe é orientada sobre como gerar resultados satisfatórios às empresas, além do desenvolvimento das Hard Skills e das Soft Skills. Anualmente, a Carambola forma 180 profissionais.

Boomera

Em 2011, o engenheiro de materiais, Henrique Guilherme Brammer Júnior, encontrou na sustentabilidade uma forma de contribuir com o planeta e gerar renda para os catadores de lixo, acima da média nacional de R$ 600,00.

“Hoje, nossos cooperados têm uma retirada média em torno de R$ 1.700,00 a R$ 1.800,00. Se compararmos a média nacional, que está em cerca de R$ 500,00 a R$ 600,00, é um salto muito grande”, afirma o presidente da Coopercaps e da Rede Sul de Cooperativas, Telines Basílio do Nascimento Júnior.

A Boomera é uma empresa social que une sustentabilidade, engenharia circular, logística reversa e design para dar nova vida às matérias-primas descartadas, como, por exemplo, o plástico.

A gente ajuda empresas a transformar resíduos em novos produtos que voltam para a sociedade. Só que a gente não faz isso sozinho; a gente faz isso com um ecossistema enorme. Junto com cooperativas de catadores, com cientistas de universidades, junto com empresas químicas, para que, somando a competência de cada um, a gente consiga entregar uma solução completa ao mercado”, explica Henrique.

Desde a sua fundação, a Boomera já transformou 60 mil toneladas de lixo em novos produtos. Veja alguns:

Três toneladas de fraldas viraram cabides e cestos de lixo. Cápsulas de café se tornaram vasos. Embalagens de sucos em pó foram transformadas em 15 mil instrumentos musicais.

Educação Empreendedora e o Ensino Integral

A BNCC trouxe para o centro do debate a questão da construção de um currículo compromissado com a educação integral. É muito comum os profissionais confundirem a educação integral com educação em tempo integral, mas são coisas diferentes. Quando falamos em educação integral, estamos falando de princípio orientador, da forma como enxergamos nosso aluno, tornando-o protagonista e desenvolvendo as suas diferentes dimensões enquanto sujeito.

Segundo a BNCC, a educação integral tem como propósito a formação e o desenvolvimento global dos estudantes, compreendendo “a complexidade e a não linearidade desse desenvolvimento, rompendo com visões reducionistas que privilegiam ou a dimensão intelectual (cognitiva) ou a dimensão afetiva” (BNCC, 2017, p. 14).

A Educação Integral tem o objetivo de tornar o estudante um cidadão ético e com valores, proporcionando-lhe o conhecimento físico, social, cultural, emocional e intelectual necessários para tornar-se um adulto autônomo. Você sabia que o Sebrae disponibiliza um curso gratuito para professores sobre a Educação Integral? Venha e conheça melhor essa proposta!

Danilo Miranda, diretor regional do SESC/SP, explica que a Educação Integral “é uma educação que tem a ver com a vida que prepara o indivíduo para o seu desempenho na sociedade, mas que prepara o indivíduo também para um desempenho ético e solidário”.

A inclusão do Ensino Integral nas escolas contribui com o engajamento dos estudantes, da família e de toda a comunidade, minimizando os riscos de evasão escolar. Conforme estudo feito pelo IBGE, 10,1 milhões de jovens, entre 14 e 29 anos, não completaram o Ensino Médio.

Na Escola Estadual Professor Emygdio Campos Vidal, no Mato Grosso do Sul, após a implementação da Educação Integral para o Ensino Médio, a evasão caiu, contando com uma aprovação de 93%: “Os alunos que achavam que não iam se adaptar, saíram e acabaram voltando para a escola. Quando o aluno se propõe a estar no programa, percebe que só tem a ganhar”, ressalta a diretora Fernanda Bucallon.

Aliar a Educação Empreendedora às premissas da Educação Integral é permitir que o estudante tenha mais oportunidades, uma vez que ao trabalhar as diferentes dimensões do indivíduo, e não apenas a cognitiva – premissa básica da Educação Integral, estaremos criando as condições para o desenvolvimento de competências empreendedoras, como a capacidade de solucionar problemas ao longo da vida, de forma criativa, inovadora e empática, preparando-os para o mercado de trabalho e sendo capaz de interagir com toda a comunidade, de forma articulada.

Entretanto, vale ressaltar que para essa estratégia alcançar os resultados desejados, todas as atividades sugeridas têm de estar relacionadas ao contexto no qual o estudante está inserido, de forma que ele consiga efetivamente mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes que tenham significado e aplicação prática.

Como ressalta a especialista em educação, Aparecida Lacerda: “A educação de qualidade é muito difícil de alcançar, se a gente não considerar a história, a cultura, a vida dos estudantes e o vínculo que isso produz ao que eles têm que aprender”.

Dessa forma é possível perceber que implementar a Educação Empreendedora na perspectiva da Educação Integral é a maneira mais completa de desenvolver os estudantes em todas as esferas.

Em 2015, na Coreia do Sul, foi realizado o Fórum Mundial da Educação, oportunidade em que se confiou à UNESCO a liderança e a coordenação da Educação 2030 por meio de orientação e apoio técnico no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Nesta oportunidade também foi elaborado o Marco de Ação da Agenda Educação 2030 para a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável para a educação (ODS 4), que visa a "assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos".

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável contam 17 metas globais, focando em pessoas, planeta, prosperidade, paz e parceria. A meta 4.4 refere-se ao Desenvolvimento de Competências para o Mercado de Trabalho.

Conforme a meta 4.4 descrita no documento, a proposta é “até 2030, aumentar significativamente o número de jovens e adultos com as competências necessárias, em particular competências técnicas e profissionais, para ter acesso ao emprego, trabalho digno e empreendedorismo”.

É importante observar como as competências empreendedoras ganham destaque no século XXI e, dessa forma, as escolas devem ampliar a sua visão sobre o empreendedorismo e incorporar a educação empreendedora como uma referência pedagógica fundamental no contexto atual.

Empreender não significa estar ligado exclusivamente à abertura de um negócio, mas sim um domínio neutro que se aplica a todas as esferas da vida, “desde o desenvolvimento pessoal até a participação ativa na sociedade, à (re)entrada no mercado de trabalho como trabalhador assalariado ou independente e também para dar início a novos empreendimentos culturais, sociais ou comerciais” (Entrecomp, 2020, pag. 12).

Um estudante empreendedor é capaz de lidar com frustrações, planejando e evoluindo com as falhas. É uma pessoa proativa, que aprende sozinha e ensina os demais, de maneira simples e inspiradora.

Além disso, o empreendedorismo possui uma relação direta com a sustentabilidade, uma vez que estamos falando de planejamento de futuro e implementação de condições produtivas que assegurem a preservação da natureza e as condições sociais e ambientais para o desenvolvimento das próximas gerações. Para a ONU UNIDO [United Nations Industrial Development Organization], braço das Nações Unidas que trata do desenvolvimento industrial, esses dois temas possuem uma relação direta e em 2020 esse organismo das Nações Unidas reconheceu a Pedagogia Empreendedora, metodologia desenvolvida por Fernando Dolabela como um programa de boas práticas para atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável.

A Educação Empreendedora é uma realidade cada vez mais presente na geração Z e nas próximas que virão. Por essa razão, o CER, diariamente, compartilha material inspirador que auxilia gestores educacionais, professores e estudantes a levar a Educação Empreendedora às salas de aula.

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