Inovação pedagógica

e o futuro da sala de aula

Quando pensamos em escola, geralmente, vem à cabeça algo parecido com isto: ficar dentro de uma sala durante cinco horas ou mais todos os dias, provas em papel, apostilas, quadro-negro, carteiras enfileiradas e o professor falando a maior parte do tempo.

É um modelo que até funciona, mas já existem muitas iniciativas, dentro e fora do Brasil, que buscam outros caminhos. E as novas tecnologias, junto com a internet, estão mostrando que nunca foi tão urgente aposentar, pelo menos em parte, esse modelo de ensino.

A pandemia do novo coronavírus – Covid 19 – causou uma mudança temporária: quarentena, aulas presenciais suspensas e implementação do Ensino à Distância (EAD) “forçado”.

Ou seja, não dá para dizer que todas as escolas passarão por uma mudança profunda de método. Mas a lição que podemos tirar é que existem outras maneiras de ensinar.

Até porque, se considerarmos que grande parte dos conteúdos transmitidos pelo professor podem ser acessados em apenas um clique, fica evidente que a função da escola em relação à aprendizagem precisa ser repensada.

Em um mundo em que a evolução tecnológica e a internet estão inserindo mudanças de forma mais rápida do que podemos registrar, influenciando todos os setores da sociedade e os relacionamentos pessoais e profissionais, fica claro que as salas de aula de hoje têm de capacitar os estudantes para carreiras e desafios que ainda não existem.

Nesse contexto, o papel da escola passa a incluir o desenvolvimento de habilidades técnicas e cognitivas mais complexas do que as ensinadas atualmente.

A questão é como usar a própria Inovação Tecnológica como ferramenta principal no processo de aprendizagem visando atingir esses objetivos.

É o que vamos ver neste Observatório. Continue lendo e descubra!

De onde vieram
as novas
metodologias
ativas

O matemático Seymour Papert, docente do MIT (Massachusetts Institute of Technology), e o psicólogo Jean Piaget, da Universidade de Genebra, foram pioneiros nos estudos sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças.

“Estudos recentes sobre novas metodologias de aprendizado que se inspiraram na proposta do matemático e do psicólogo fazem todo o sentido quando o assunto é Metodologias Ativas e Inovação na Educação Empreendedora.” João Andrade, professor do Sebrae.

O construtivismo, aderido por Piaget, foi fundamental para o entendimento sobre a construção de modelos mentais baseados na experiência, influenciando Papert em relação à aprendizagem infantil e também às novas tendências da Educação.

É possível identificar, por meio de três elementos que norteiam as Metodologias Ativas e a Educação Empreendedora, a influência que Papert e Piaget deixaram:

Low floor
Acesso

high ceiling
Desafio

Wide walls
Caminhos

Para Papert, é preciso começar sem dificuldade (low floor), mas também com possibilidades de evolução com projetos cada vez mais desafiadores ao longo do tempo (high ceiling) e poder oferecer opções diversas de caminhos (Wide walls).

Conheça 8 tendências

do ensino em sala de aula

O Google for Education, plataforma educacional colaborativa que possibilita às escolas, aos professores e aos estudantes o uso da tecnologia em sala de aula, produziu um relatório em 2019 que mapeia 8 tendências atuais e emergentes na Educação em Sala de Aula, sendo essas distribuídas em:

Responsabilidade
digital

Pensamento
computacional

Salas de aula
colaborativas

Pedagogia
inovadora

Habilidades para a
vida e preparação da
força de trabalho

Aprendizagem
liderada pelo
estudante

Conexão entre os pais
e os responsáveis
pelos alunos

Tecnologias
emergentes

Segundo o relatório, as tendências mostradas estão influenciando atualmente a Educação no mundo inteiro e definindo a experiência educacional do futuro nas escolas primárias e secundárias.

Para entender um pouco melhor, veja como as tendências citadas têm um peso importante no desenvolvimento do bom relacionamento com a tecnologia.

Com quem fica a Responsabilidade Digital: pais ou escolas?

Como os pais e responsáveis podem, junto com a escola, ajudar os estudantes a desenvolver relacionamentos saudáveis com a tecnologia, tornando-os usuários seguros e confiantes do mundo digital?

Pode ser uma batalha inglória em um mundo em que os pais colocam celulares na mão dos filhos antes mesmo de eles começarem a falar.

No entanto, até os próprios criadores de tecnologias e apps que dominam o nosso dia a dia já começaram um movimento para manter seus filhos longe de celulares e tablets.

Steve Jobs admitiu em 2011 que ele e sua esposa limitavam o acesso dos filhos à tecnologia dentro de casa.

Bill Gates, fundador da Microsoft, também é conhecido por restringir o tempo dos filhos em frente às telas.

E Mark Zuckerberg, criador do Facebook, chegou a escrever uma carta para sua filha recém-nascida, em 2017, pedindo que ela "saísse de casa e brincasse" quando crescesse.ão usam a tecnologia.

No Vale do Silício (Califórnia - EUA), um grupo de pais tomou a decisão de restringir o uso de tecnologias por seus filhos e estão enviando as crianças para escolas com metodologias alternativas, que não usam a tecnologia.

Contradição ou consciência?

Por outro lado, é inegável que as crianças começam a ter presença on-line cada vez mais cedo. E elas vão encontrar um mundo moldado pela inovação tecnológica. Tudo indica que o caminho é o equilíbrio.

Existe a necessidade de ajudar os estudantes a desenvolver um relacionamento saudável e responsável com a tecnologia, algo que deve ser responsabilidade conjunta da escola e dos pais e responsáveis.

Por isso, acho que não se trata da tecnologia em si, mas sim da pedagogia. Como utilizar a tecnologia na aprendizagem? Hoje em dia, temos que estar conscientes das questões de segurança da tecnologia, da ética da tecnologia. Creio que agora isso seja uma parte natural de tudo o que aprendemos.”

Anneli Rautiainen

Chefe da Unidade de Inovação da Agência Nacional Finlandesa para a Educação

Os órgãos oficiais também começaram a se manifestar.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, em 2019, um relatório que continha recomendações sobre um tempo que seria indicado às crianças passarem em frente às telas com orientações sobre o uso delas e da internet pelas crianças e pelos adolescentes. Você pode conferir aqui o Manual.

As escolas podem contribuir nesse processo incluindo a segurança on-line no currículo, ajudando as crianças a se tornarem usuários responsáveis, capazes de administrar os riscos on-line

E o que fazer em tempos de pandemia?

A quarentena e o isolamento social devido à pandemia de COVID-19 deixou os pais trabalhando em home office e as
crianças presas em casa sem escola e sem amigos.
Assim, a televisão e a internet acabam se tornando aliadas, prendendo a atenção das crianças para os pais conseguirem trabalhar.

E como encontrar o equilíbrio para a saúde mental das crianças e dos adultos sem comprometer o desenvolvimento
dos pequenos pelo uso excessivo das telas? Segundo o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral.

"A brincadeira é a solução para o vazio. E agora, eu faço o quê? Eu brinco do quê? A tela entrega essa resposta pronta e, quando isso acontece, a criança se acostuma com uma participação passiva nessa relação. Eu não tenho que fazer nada, não tenho que criar nada, não tenho que elaborar nada, eu só sento e assisto."

Um dos caminhos é usar a tecnologia a seu favor, afinal, nem sempre ela será a vilã. Existem muitas opções interessantes na internet como desenhos que ensinam sobre sentimentos, aplicativos e jogos que auxiliam no aprendizado de habilidades cognitivas, entre outros.

Outras ações simples que os pais podem tomar é sempre conversar muito com as crianças, usando uma linguagem que elas entendam, explicando a situação atual e a necessidade deles trabalharem.

Também vale a pena assistir e conversar com as crianças sobre os vídeos e os jogos que elas estão vendo, perguntando o que é mais legal em cada um, pedindo para elas contarem o que aconteceu no desenho, se aprendeu alguma coisa.

O segredo é o equilíbrio e oferecer conteúdos úteis para as crianças aprenderem enquanto se divertem.

Quais caminhos podem ser úteis para encontrar

o equilíbrio no uso da tecnologia?

Em um mundo totalmente tecnológico, restringir o acesso à informação pode parecer um erro. Além disso, com a reformulação do ensino, será cada vez mais comum que as crianças tenham contato maior com as ferramentas tecnológicas. Mas como deixar claro para a criança que existem momentos certos para a sua utilização?

Não se pode negar que esse é um grande desafio da atualidade. Por essa razão, a educação e a família terão um papel fundamental em fazer com que uma boa relação com a tecnologia seja criada. O passo mais importante dentro desse processo será a criação de limites de tempo e espaço.

Cabe às instituições promover a importância do uso da tecnologia e também criar meios de demonstrar como o uso excessivo pode trazer prejuízos. Com base nisso, os estudantes começarão a ter consciência dos benefícios do equilíbrio, incentivando assim o uso adequado.

Ademais, tanto os pais quanto os educadores devem saber, claramente, a importância de colocar limites nas relações. Para ajudar, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um estudo, em 24 de abril de 2019, no qual mostra o tempo adequado de uso da tecnologia de acordo com a idade das crianças. Veja o que o estudo tem a dizer:

Até 2 anos de idade

Por mais que seja quase impossível fazer com que essa faixa etária não tenha contato com as tecnologias, ainda mais na realidade atual, a OMS orienta que até 2 anos de idade é importante que o bebê fique bem longe das telas. Nessa fase, o ideal é que seja desenvolvida a socialização; então o contato humano é mais necessário do que o tecnológico.

De 2 a 5 anos de idade

A partir dos dois anos de idade e até quando a criança completar 5 anos, a Organização Mundial da Saúde orienta que o tempo máximo deve ser de 1 hora. Ainda que seja nessa fase que a criança comece a falar, a interagir e a buscar atividades de prazer momentâneo, é fundamental que ela também consuma conteúdos digitais educativos. As escolas e os pais podem dividir esse tempo entre atividades de ensino e de lazer, lembrando que o lazer também pode ser educativo.

Acima de 6 anos de idade

A partir dos dois anos de idade e até quando a criança completar 5 anos, a Organização Mundial da Saúde orienta que o tempo máximo deve ser de 1 hora. Ainda que seja nessa fase que a criança comece a falar, a interagir e a buscar atividades de prazer momentâneo, é fundamental que ela também consuma conteúdos digitais educativos. As escolas e os pais podem dividir esse tempo entre atividades de ensino e de lazer, lembrando que o lazer também pode ser educativo.

Preparando as crianças
para profissões
que nem existem ainda

“É importante abordar um problema a partir de diferentes perspectivas disciplinares. Isso não é apenas o que os estudantes precisam fazer ao entrarem no mercado de trabalho. É o que precisamos para resolver os grandes problemas que enfrentamos, como as mudanças climáticas.” Dra. Hanna Dumont, Psicóloga Educacional e Pesquisadora em Educação Internacional

A Inovação Tecnológica está causando mudanças profundas no mercado de trabalho, criando novas profissões que nem existiam até poucos anos atrás. E, certamente, ainda há várias outras que as novas tecnologias ajudarão a criar, que ninguém ainda sabe quais são. De acordo com estudo realizado pela Dell Technologies, em parceria com o Institute for the Future (IFTF), 85% das profissões em que as pessoas vão trabalhar em 2030 ainda não surgiram.

Nesse contexto, como preparar os estudantes para o trabalho? Quais são as habilidades necessárias a fim de que as crianças e os jovens de hoje possam se tornar profissionais produtivos amanhã? Pesquisas mostram que 91% dos CEOs globais acreditam que seus colaboradores precisam melhorar as “habilidades comportamentais” para que acompanhem as “habilidades digitais”.

Não é à toa que a preocupação com os currículos atuais está aumentando, já que eles precisarão preparar os estudantes para a vida adulta.

As habilidades comportamentais são cada vez mais valorizadas. Por essa razão, as pesquisas sugerem que o profissional do futuro precisará aliar habilidades digitais com altos níveis de Inteligência Emocional para lidar com os desafios do mercado de trabalho.

“Aprender virtudes e valores como empatia e gentileza, e desenvolver a inteligência emocional é tão importante quanto as lições de matemática e ciência que ensinamos, para que as crianças entendam a si mesmas, sua conexão com os outros e com o mundo.” Nastaran Jafari, Consultor Independente de Educação Internacional

Nesse contexto, as escolas podem utilizar a Educação Empreendedora com o intuito de incorporar na sua grade curricular o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como empatia, confiança, articulação e trabalho em equipe, junto às disciplinas tradicionais como Matemática e Inglês.

Desenvolvendo o Pensamento Computacional

A Inovação Tecnológica exercerá um papel tão importante na educação, nos próximos anos, que ela foi inserida em uma das 10 competências gerais da Base Nacional Comum Curricular.

Segundo a BNCC
os estudantes precisam:

“Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação, de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares), para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.”

Para alcançar esses objetivos, será necessário desenvolver a
habilidade do Pensamento Computacional.

Se você não tem intimidade com o termo, “Pensamento Computacional” pode ser definido como a capacidade de utilizar conceitos básicos da Computação na solução de problemas.

Na prática, funciona em quatro pilares:

Decomposição: consiste em dividir um problema complexo em partes menores, dando maior atenção a cada etapa.

Abstração: foco em distinguir os processos relevantes para a solução do problema, deixando de lado os detalhes de menor importância.

Reconhecimento de padrões: significa identificar tendências de comportamento, observando atentamente a questão, reconhecendo padrões e similaridades.

Pensamento algorítmico: corresponde à criação de passos e soluções visando alcançar um objetivo específico para qualquer problema, utilizando os conceitos de construção de algoritmos computacionais.

O grande diferencial do futuro vai ser a nossa capacidade de ser humano. Então, a Educação do Futuro está orientada em um olhar da personalização. Precisamos perceber cada indivíduo, e uma das maneiras mais claras de fazer isso, dentro do cenário do indivíduo, é usando tecnologia. E tecnologia digital, porque, por meio dela, conseguimos escalar interesses, necessidades e vontades diferentes.”

Laura Ituassu
Diretora da SHARE360.

A aplicação do Pensamento Computacional permite reformular problemas complexos, que podem ser de difícil resolução, transformando-os em algo simples de ser compreendido. O método permite que os estudantes desenvolvam diversas habilidades importantes, como, por exemplo, a autoconfiança, a criatividade, a análise crítica e o pensamento lógico.

São características socioemocionais importantes e que poderão se tornar essenciais para conquistar os empregos no futuro tecnológico que nos aguarda.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada por países e parceiros estratégicos dedicados ao desenvolvimento econômico, da qual o Brasil faz parte, publicou o Relatório Future of Education and Skills, no qual destacou que os alunos que ingressaram nas escolas em 2018 enfrentarão desafios futuros que não podem sequer ser previstos hoje.

Percebe-se que o acesso às competências digitais já não é visto como uma vantagem, e sim como um direito de todos os estudantes Por esse motivo, as mudanças no currículo escolar precisam refletir tal transformação.

O Estudante pode
liderar o seu aprendizado?

"A criança precisa ser construtora do espaço em que vive; ela deve ser coautora de seu desenvolvimento e de sua aprendizagem. O professor deve ser um mediador e dar oportunidades de autonomia na decisão do planejamento da rotina e na organização dos espaços", explica a pedagoga Fátima Guerra, da Universidade de Brasília (UnB).

Outra inovação pedagógica que vem substituindo o modelo tradicional, em que o professor é a figura central, detentora de todo o conhecimento, é a Aprendizagem Centrada no Estudante.

Esse novo modelo traz maior autonomia aos estudantes sobre a própria aprendizagem, desde a transmissão dos conteúdos até as dinâmicas utilizadas na sala de aula.

É nesse cenário que as metodologias ativas de ensino vêm ganhando força nos últimos anos, colocando o estudante como protagonista, participando ativamente de sua jornada educativa.

Vamos ver alguns exemplos de metodologias ativas que utilizam diferentes abordagens e que podem ser adaptadas ao dia a dia de cada escola.

Aprender Através de Projetos

Na Aprendizagem Baseada em Projetos o objetivo é fazer com que os estudantes construam seus saberes de forma colaborativa, por meio da solução de desafios, esforçando-se para criar, explorar e testar as hipóteses a partir da própria vivência.

Nesta metodologia, o professor pode incluir tecnologias como vídeos ou fóruns digitais, além de atividades com elementos concretos como cartazes e maquetes.

O professor atua como um orientador, ao passo que o estudante desenvolve um perfil investigativo e crítico diante dos exercícios propostos.

Ensinar Resolvendo Problemas

Aqui a construção de conhecimento ocorre através de discussões em grupo sobre problemas propostos pelo professor. Os estudantes levam os temas para casa, onde podem estudá-los com auxílio de livros e da internet, e trazem suas interpretações, dúvidas e dificuldades para debater com o professor e os colegas.

A metodologia incentiva o trabalho em grupo e a comunicação entre saberes de diferentes áreas do currículo escolar, promovendo a interdisciplinaridade, um dos focos centrais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Bora jogar?

Qual criança ou adolescente que não gosta de jogar? Até os adultos adoram. A Gamificação é uma metodologia que foi criada pensando em utilizar em sala de aula os mesmos elementos que tornam os jogos tão atrativos aos estudantes.

O objetivo é gerar o máximo de engajamento durante o processo de aprendizagem, trazendo desafios e gamificando os conteúdos de cada disciplina.

Assim, os estudantes aprendem enquanto se divertem.

Sala de Aula Invertida

Como o próprio nome diz, o professor deixa o papel central de transmissor de conteúdos, cedendo esse lugar de fala ao estudante.

Essa metodologia traz um diferencial importante, visto que permite a utilização das inovações tecnológicas na sala de aula, principalmente a internet, misturando a experiência digital e presencial, e potencializando o aprendizado.

A Sala de Aula Invertida se dá em dois momentos. Primeiro, o estudante estuda sozinho, pesquisando on-line sobre os assuntos relacionados ao tema. Depois, ele compartilha em sala de aula o que aprendeu, trocando conhecimento com o professor e os colegas.

Storytelling - a arte de contar histórias

Storytelling é a boa e velha contação de histórias. E nós adoramos boas histórias. Desde a época das cavernas, esta tem sido uma excelente ferramenta pedagógica, usada para manter vivas as tradições e os costumes das tribos.

Com o passar do tempo, essa se transformou em um método com bases científicas que utiliza técnicas de criação narrativa para transmitir conhecimento e conteúdos.

Por isso, tem sido cada vez mais aplicado na Educação e com diversos benefícios:
  • Diminui a distração dos estudantes.
  • Aumenta o interesse e o engajamento nos conteúdos em estudo.
  • Desenvolve a criatividade – principalmente quando os estudantes participam diretamente como personagens da história
  • Estimula o desenvolvimento das competências socioemocionais como empatia, conexão, comunicação, dentre outras.

Paul Zak, diretor do Center for Neuroeconomics Studies (Centro de Estudos Neuro Econômicos, em tradução livre), afirma que uma boa história é capaz de transformar crenças, comportamentos e atitudes dos indivíduos.

Portanto, nada mais natural do que inserir o Storytelling no contexto das metodologias ativas de aprendizagem que podem ajudar os estudantes a estudar com mais eficiência.

Como deixar
as salas de aula
mais colaborativas

Dentre as tendências para o futuro da sala de aula, esta inovação pedagógica está ganhando força nas escolas pelo mundo. O objetivo é mudar o formato da sala de aula para torná-la um ambiente mais colaborativo.

“A escola como conhecemos hoje, universal, foi criada para atender a uma demanda de mercado. Com a Revolução Industrial, a indústria crescia e não havia pessoas minimamente capazes de trabalhar nela. Então, o padrão que temos na escola é o mesmo da indústria à época – pessoas enfileiradas frente às suas máquinas. Só que a indústria mudou, e a escola não”. Célia Senna, consultora pedagógica.

Existem pesquisas mostrando que o design da sala de aula, incluindo cor, iluminação, acústica e organização do espaço, afeta a aprendizagem do estudante.

Um estudo de referência de 2012 revelou que o design e o layout da sala de aula podem alterar o progresso dos estudantes, durante um ano letivo, em até 25%, enquanto pesquisas realizadas a partir de 2018 sugeriram que o design da sala de aula afeta a aprendizagem em uma média de 16%.

Nesse sentido, a sala de aula passa a ser vista como o “terceiro professor”, depois dos pais/responsáveis e dos professores. Algumas escolas já estão reorganizando as salas de aula, adotando layouts que promovam a inclusão, a colaboração e a criatividade.

“Os layouts colaborativos beneficiam os professores na forma de gerir grupos, administrar diferentes capacidades dos grupos e encorajar a aprendizagem entre pares.” Vikas Pota, CEO do Grupo Tmrw Digital
e Presidente do Conselho de Administração da Varkey Foundation

Veja alguns exemplos simples e como eles podem trazer muitos benefícios ao aprendizado do aluno:

Organização da
turma em círculo

Reorganizar a sala de aula em círculo fará com que o professor consiga estar no mesmo patamar dos alunos, descentralizando o foco no educador e facilitando a transmissão igualitária de informações. Essa dinâmica ganha uma otimização quando feita no chão, dando oportunidade para que os estudantes possam explorar a expressão corporal durante o aprendizado.

Divisão em
grupos

A formação de grupos para o desenvolvimento das atividades desenvolve o coletivismo e aprimora o debate construtivo.

Agrupamento das
carteiras em forma de “U”

Tal modelo segue a mesma linha de pensamento da formação em círculo. Os estudantes conseguem ter uma visão global da sala, o que estimula a sensibilidade de perceber o comportamento dos demais colegas ao responderem aos estímulos trabalhados pelos educadores. Uma ótima oportunidade para o aprimoramento da empatia entre os membros da sala.

Pais, responsáveis
e escolas precisam
conversar mais

Existem estudos que apontam a importância de uma boa relação entre pais/responsáveis e a escola, como, por exemplo, a pesquisa Os pais e a aprendizagem dos filhos, feita por Sam Redding, da Academia Internacional da Educação, da UNESCO.

É uma parceria que traz benefícios a todos. Os alunos aprendem melhor quando os pais se interessam pelos seus estudos e pelo ambiente escolar que frequentam, e as escolas, por sua vez, têm melhores resultados quando mantêm bom relacionamento com as famílias.

No entanto, considerando que na maioria das famílias os dois pais ou os responsáveis trabalham em tempo integral, a inovação tecnológica pode ser o caminho para manter a conexão com a escola, ficando por dentro do que acontece na educação dos filhos.

“O que é empolgante nas tecnologias de comunicação, mas que eu acho que tem sido pouco explorado, é o modo como os pais/responsáveis de fato são vistos como parceiros na educação. Acho que muitas vezes há um pouco daquilo: quando as crianças chegam à idade escolar, todo o trabalho recai sobre a escola e os pais/responsáveis
ficam um pouco de fora.”

Rachel Wolf, Sócia Fundadora da Public First

“A colaboração entre pais/responsáveis e professores seria útil não só para os pais/responsáveis, mas também para que os professores soubessem mais sobre as condições ambientais e a situação familiar de onde vêm os alunos, porque a maioria das diferenças no desempenho dos alunos são, na verdade, influenciadas pelas famílias e não pelas escolas.”

Dra. Hanna Dumont, Psicóloga Educacional e Pesquisadora em Educação Internacional

Algumas ferramentas que podem ser usadas nesse sentido:

  • O e-mail pode ser um ótimo meio de comunicação entre professor, pais/responsáveis e alunos, através do envio de comunicados oficiais da escola, trabalhos, apresentações, tarefas de casa, etc.
  • Páginas e Formulários da Web com informações e atualização sobre as atividades de classe como um todo.
  • Redes sociais podem ser ótimas ferramentas para compartilhar o dia a dia da sala de aula, mostrar as atividades, a habilidade e o talento dos estudantes, dentre outras coisas.
  • Videoconferências e Lives ocasionais de atividades da sala de aula podem fazer os pais se sentirem mais inseridos na rotina educacional dos filhos.
  • Portal e Apps para Eventos e Calendário Escolar para que todos fiquem por dentro de informações importantes como festas, comemorações e reuniões de acompanhamento.

Inovações Pedagógicas
para facilitar
a vida do professor

O professor possui uma rotina frequentemente acelerada e cansativa. Ele precisa preparar e ministrar as aulas, elaborar as provas e corrigi-las, e ainda pensar em se manter atualizado e motivado para seus estudantes.

É um trabalho que vai além da sala de aula.

“O planejamento de aulas ou a atribuição de notas são tarefas que levam um tempo desproporcional. É aqui que eu acho que a tecnologia pode ser aproveitada para ganhar tempo livre e permitir que os professores façam o que devem fazer, que é ensinar e interagir com os alunos.”

Vikas Pota, CEO do Grupo Tmrw Digital e Presidente do Conselho de Administração da Varkey Foundation

Nesse contexto, a tecnologia pode ser aproveitada como uma ferramenta para agilizar o cotidiano, permitindo que os professores se concentrem em suas aulas e métodos de ensino. Recursos como tablets, lousas digitais, celulares, aplicativos e acesso à internet permitem que o planejamento das aulas, a atribuição de notas, os comunicados e envio de trabalhos escolares sejam agilizados, fazendo com que o professor ganhe um tempo precioso que pode ser mais bem aproveitado.

Além disso, as suas aulas ganharão vida nova, apresentando os conteúdos por meio de plataformas digitais mais próximas da realidade dos estudantes.

“No momento em que se oferecem computadores às crianças e aos professores – e o Brasil está começando a fazer isso –, há duas situações possíveis. O docente pode usar o computador apenas com o objetivo de preparar o material para as aulas. Mas ele também pode se valer da tecnologia visando estabelecer uma metodologia diferente, um novo tipo de relação com o aluno, muito mais personalizado, e isso me parece o mais importante. A tecnologia permite o trabalho individual e em grupo de maneira mais eficaz.”

Afirma Martina Roth, educadora alemã, em uma entrevista à Nova Escola.

O professor, tornando-se capaz de usar as Inovações Tecnológicas para otimizar suas tarefas extraclasse, bem como os processos de ensino e aprendizagem, consegue atuar de maneira mais atraente e inovadora dentro da sala de aula, aumentando o interesse e o engajamento dos alunos.

Mas, infelizmente, em relação à adoção das novas tecnologias, as escolas brasileiras trazem desafios por conta da diversidade de realidades que os professores, principalmente da rede pública, convivem.

Segundo a pesquisa “O que pensam os professores brasileiros sobre a tecnologia digital em sala de aula”, iniciativa do movimento “Todos Pela Educação”, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Instituto Natura, o Itaú BBA, a Fundação Telefônica Vivo e a Samsung, 66% dos professores mencionam o quesito “equipamentos ruins”, e 64% consideram a “velocidade da internet insuficiente” como as razões mais comuns que limitam o uso da tecnologia na sala de aula.

A mesma pesquisa indicou que os profissionais precisam ser capacitados, pois aproximadamente 40% dos professores nunca fizeram cursos gerais de Informática ou de Tecnologias Digitais na Educação, e apenas 18% tiveram treinamento para o desenvolvimento de aplicativos.

Motivação e apoio são fundamentais a fim de que os professores consigam trazer os recursos tecnológicos para sua rotina, de modo que se desenvolvam profissionalmente, e, por consequência, transformem suas salas de aula.

Quais são as tecnologias
que podem ajudar o professor?

Já existem diversas Inovações Tecnológicas sendo incorporadas no dia a dia das escolas, promovendo experiências de aprendizagem e tornando os métodos de ensino mais inovadores e envolventes.

As possibilidades de uso das novas tecnologias na Educação são tão amplas e diversas que, a cada dia, surgem outras ferramentas, funcionalidades e perspectivas. Vamos mostrar algumas das principais inovações que estão

Smartphones e tablets

São os exemplos mais comuns e de acesso mais popular. Grande parte dos alunos possui pelo menos um aparelho, podendo levá-lo para usar na sala de aula e depois continuar a

Cloud Computing

A chamada “computação na nuvem” é uma das principais Inovações Tecnológicas que vêm sendo testadas em instituições de ensino. Softwares hospedados na nuvem podem revolucionar a maneira como professores realizam suas tarefas administrativas, além de auxiliar na comunicação com os pais e os responsáveis, e com seus estudantes.

Através deles é possível trocar conhecimentos e experiências com os colegas, com outras salas de aula da escola e até promover o intercâmbio de ideias com estudantes de outros países. Também é possível interagir em tempo real com diversos tipos de conteúdos como, por exemplo, e-books, vídeos e infográficos

Impressoras 3D

As impressoras 3D podem dar vida a muitos dos temas que, hoje, os professores mostram apenas por fotos na sala de aula. Os próprios estudantes podem replicar animais, peças mecânicas, órgãos e ossos humanos.

É um recurso que certamente trará mais praticidade ao aprendizado, facilitando o entendimento e fomentando o interesse por pesquisas científicas.

Realidade Virtual

Parece coisa de filme de Hollywood, mas a Realidade Virtual pode ser vista como mais uma Inovação Tecnológica a ser aplicada no ensino.

Basicamente, a RV é uma tecnologia de interface entre um usuário e um sistema operacional, em que o objetivo é recriar, ao máximo, a sensação de realidade. Geralmente, está mais conectada à visão, mas um ambiente virtual pode contemplar todos os outros sentidos.

Por ser uma experiência imersiva, o estudante sai do campo teórico, da imagem e do desenho, para vivenciar o ensino. É um recurso poderoso, viável de ser explorado de diversas formas na sala de aula.

Por exemplo, em uma aula de Geografia, é possível que os estudantes visitem diferentes países para conhecer o seu clima e tipo de solo; em uma aula de História, podem conhecer hábitos e costumes de outras épocas ou explorar locais como as pirâmides do Egito.

Realidade Aumentada

A Realidade Aumentada é uma Inovação Tecnológica que permite misturar o mundo virtual com o mundo real. Ela possibilita que os estudantes acessem um ambiente e interajam com objetos virtuais em três dimensões.

Pode ser usada de diversas formas pelos professores, como, por exemplo, observar a formação de uma molécula de água ou a fecundação de um óvulo.

Ou seja, os alunos têm a oportunidade de ver e interagir com situações que de outra maneira não poderiam ser vivenciadas, elevando a compreensão e a precisão da aprendizagem.

Segundo Tony Ventura, palestrante de Inovação e pesquisador de novas tecnologias: “Tanto a Realidade Virtual quanto a Realidade Aumentada são viáveis para a sala de aula, mas a RV ainda é um pouco limitada porque algumas pessoas não se adaptam aos óculos utilizados. Por outro lado, a RA possibilita unir o digital e o real, sendo mais simples, confortável e prática, tornando-se mais facilmente implementável nas escolas, como acho que veremos nos próximos anos.”

INOVAçÕEs tecnológicas
e pedagógicas andando juntas para melhorar a
educação brasileira

Apesar de ainda existirem barreiras estruturais e tecnológicas que impedem amplo acesso a todas as inovações que citamos aqui, a utilização das novas tecnologias em conjunto com as novas metodologias de ensino podem ser vistas como uma evolução natural da Educação no Brasil.

Veja o que diz César Wedemann, ex-CEO da QEdu, a maior plataforma de dados educacionais do Brasil:

Embora ainda tenhamos grandes problemas para resolver, se você olhar as tendências, verá que estamos melhorando na educação. A minha principal preocupação é que não estejamos melhorando tão rapidamente quanto deveríamos. Mas eu acho importante nós reconhecermos que estamos progredindo, mesmo que de forma mais lenta e superficial do que deveria ser.”

ortanto, a evolução existe, ainda que gradual. E será algo que vai beneficiar alunos, professores, responsáveis e instituições de ensino.

Nos próximos anos, cada vez mais, escolas e universidades se tornarão repositórios de conhecimento on-line, transformando alunos e professores em criadores do próprio conhecimento.

A casa dos estudantes será uma extensão da sala de aula, onde professores, pais e responsáveis estarão unidos colaborativamente a fim de que a experiência de aprendizagem seja a melhor e mais eficiente possível para os estudantes.

Os estudantes poderão ter acesso aos conteúdos em ambientes virtuais de aprendizagem, ampliando as oportunidades de estudo para milhares de pessoas.

Pessoas com dificuldades de expressão oral terão a oportunidade de participar ativamente de debates, chats e fóruns, fortalecendo a sua autoconfiança e fornecendo aos professores mais recursos para a avaliação da aprendizagem.

Nunca tivemos tantas oportunidades nem tantos recursos para aprender de forma mais interessante e divertida.

E, então, gostou de conhecer os futuros possíveis que a Inovação Tecnológica e a Inovação Pedagógica poderão levar à sua escola?

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