Quem é o
Professor
da Atualidade ?

Segundo os dicionários, ser atual é estar em ação no momento presente, é tudo o que não é ultrapassado. Dentro desse conceito, o que é ser um professor da atualidade, considerando que vivemos em um período pós-pandêmico?

A pandemia do novo coronavírus jogou o professor no “olho do furacão” das mudanças, exigindo dele correr para acompanhar este novo mundo.

E não ser ultrapassado significou bem mais do que ser tachado de démodé. Representou uma reinvenção, um mergulho em novidades, principalmente tecnológicas, que ampliou a sua forma de pensar e agir.

O profissional precisou lidar com os obstáculos do distanciamento físico. Para isso, foi necessário romper os muros, descobrir novas janelas de oportunidades por onde o ensino continuaria a atingir e transformar seus estudantes.

Todas essas transformações, amplificadas pela pandemia da Covid-19, ainda provocam muitas reflexões nos professores quanto à própria formação, o quanto estavam preparados para as mudanças impostas pelo contexto e como planejar e atuar dentro desta nova realidade.

O que o professor atual deve fazer para acompanhar as mudanças constantes? Quais são as habilidades necessárias e como desenvolvê-las? O quanto essas mudanças impactam sua prática? Mais do que ser um profissional da atualidade, como é ser um professor no futuro?

Continue a leitura,

que este Observatório vai ajudar a responder a essas e a outras perguntas!

Ensino remoto e a realidade da sala de aula

A pesquisa “Trabalho Docente em Tempos de Pandemia”, realizada pelo Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente da Universidade Federal de Minas Gerais (Gestrado/UFMG), ouviu 15.654 docentes de todo o Brasil, da educação infantil, do ensino fundamental e da educação de jovens e adultos (EJA).

Os resultados apontados:

89% não tinha experiência anterior à pandemia para dar aulas remotas – e 42% dos entrevistados afirmaram que seguiram sem treinamento, aprendendo tudo por conta própria.

21% consideraram difícil ou muito difícil lidar com tecnologias digitais

82% disseram que as horas de trabalho aumentaram.

84% afirmaram que o envolvimento dos estudantes diminuiu um pouco ou diminuiu drasticamente durante a pandemia.

80% dos entrevistados afirmaram que a principal dificuldade dos estudantes é a falta de acesso à internet e a computadores.

O estado emocional dos professores também foi considerado na pesquisa. Sobre isso, 69% declararam ter medo e insegurança por não saber como será o retorno à normalidade e 50% declararam ter medo em relação ao futuro.

No entanto, todas essas dificuldades só evidenciaram a força e a capacidade de adaptação dos professores, consequência direta da sua paixão em ensinar.

Como afirma Jeferson Pandolfo, diretor de Educação Digital do Centro Universitário UniCarioca, CRO (Chief Relationship Officer) na InterEDtech e consultor na Hoper Educação, em entrevista concedida à plataforma Minha Biblioteca sobre os efeitos da pandemia no ensino:

[...] é preciso considerar que os verdadeiros heróis da pandemia são os professores que, rapidamente, conseguiram entender o desafio e atuaram de diferentes maneiras, para continuar com as atividades propostas. Do outro lado, os estudantes agora percebem, cada vez mais, a importância da autonomia e do protagonismo da aprendizagem, exigindo muito mais dos professores e das Instituições de Ensino.

Não à toa que nossos professores sempre são indicados para concorrer a premiações, inclusive internacionais, como o Global Teacher Prize, da Varkey Foundation em parceria com a UNESCO.

Considerado o Nobel da Educação, o prêmio foi criado para reconhecer o importante papel que os professores desempenham na sociedade.

E todos os anos presenciamos professores brasileiros concorrendo nas primeiras posições. Em 2020, houve três profissionais entre os 50 finalistas:

  • a professora de educação especial e língua portuguesa Doani Emanuela Bertan, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Júlio de Mesquita Filho, em Campinas (SP);
  • o professor de história e especialista em educação inclusiva Francisco Celso Freitas, do Centro de Ensino da Unidade de Hospitalização de Santa Maria (DF);
  • a professora de Lília Melo, da Escola Brigadeiro Fontenelle, de Belém (PA).

E em 2021 não foi diferente. Tivemos o professor do Instituto Federal Goiano Greiton Toledo de Azevedo representando o Brasil.

ferramentas para aumentar a produtividade do professor

Separamos algumas ferramentas que podem ser muito úteis para você, professor, organizar sua rotina e otimizar sua produtividade.

Elas vão desde a preparação do material educacional até tornar suas aulas mais interativas.

Google Calendar

A Agenda do Google (Google Calendar) é um serviço de agenda e calendário online oferecido gratuitamente. Nela você pode organizar seu dia, receber lembretes de eventos em sua caixa de e-mail, anexar arquivos ou documentos e enviar convites para eventos e reuniões.

Também é possível compartilhar sua agenda com seus colegas de trabalho visando marcar reuniões online e compartilhar os compromissos.

Trello

O Trello é uma ferramenta digital de gerenciamento de projetos que vai ajudar a organizar suas atividades. Você pode criar cards com tarefas, colocar prazos de entrega, fazer checklists de etapas do trabalho, anexar arquivos, colocar etiquetas com o status da atividade e adicionar membros.

Também é possível criar projetos separados para cada uma das suas turmas e um apenas para suas atividades.

Escola digital

A Escola Digital foi criada com o objetivo de facilitar o acesso de educadores, escolas e redes de ensino a material educativo de base tecnológica. É uma plataforma gratuita por meio da qual você tem acesso a mais de 30 mil recursos digitais de aprendizagem. A navegação é muito simples, bastando pesquisar pelo termo desejado no campo de busca ou utilizando filtros por disciplina, ano ou tipo de mídia.

Pode ser uma ótima ferramenta para o professor colocar em prática algumas das metodologias ativas nas suas aulas.

GoConqr

Quer dar aquela aula empolgante, que deixa o estudante com um gostinho de quero mais? Então, a ferramenta que você precisa é o GoConqr.

Com ela você pode criar diversos materiais interessantes para trabalhar em sala de aula como, por exemplo, mapas mentais, flashcards, quizzes e slides.

Além disso, ela tem uma biblioteca com 9 milhões de materiais criados pelos membros que podem ser usados gratuitamente.

Jovens Gênios

A Jovens Gênios é uma plataforma educacional que trabalha com inteligência artificial e gamificação. Seu objetivo é tornar as aulas mais divertidas, por meio da aplicação das metodologias ativas.

Um dos seus atrativos é ter relatórios automatizados que ajudam o professor a individualizar o processo de aprendizagem de cada estudante e torná-lo protagonista do próprio aprendizado.

Um dos seus fundadores, Bernard Caffé, até concedeu uma entrevista para nosso Portal, falando sobre ela.

Google Classroom

O Google Classroom é outra ferramenta gratuita disponibilizada pelo Google voltada à gestão de aprendizagem. Ideal para educadores que desejam elaborar atividades mais simples, que possam ser feitas a distância e no tempo de cada estudante.

A plataforma funciona como uma sala de aula virtual. O professor só precisa criar a classe, adicionar os estudantes por e-mail e elaborar as tarefas. Há diversas funcionalidades interessantes como anexar links, arquivos, gerar prazos, enviar e receber trabalhos.

Escola digital

O kineMaster é um editor de vídeo gratuito para celulares com ferramentas poderosas que podem ajudar o professor a gravar e a editar videoaulas para os seus estudantes.

É possível acrescentar legenda, efeitos especiais, dublagens, controle de velocidade, além de outros recursos.

Loom

O Loom é uma ferramenta simples e prática que permite gravar o que está acontecendo na tela do computador. É útil para o professor que precisa mostrar como fazer algo na prática, como um texto, operações matemáticas, ou qualquer outra tarefa, enquanto ele explica.

As aulas presenciais, gradativamente, começam a ser retomadas. Mas muitos ainda acreditam que o ensino remoto deve permanecer como um caminho auxiliar durante este período de adaptação

Nesse contexto, é fato que a tecnologia chegou para ficar e se estabelece como uma nova realidade da educação brasileira.

No entanto, segundo Carlos Eduardo Bielschowsky, doutor em Física pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e ex-secretário de Educação a Distância (Seed) do MEC:

A simples transposição da técnica presencial para uma tela de computador ou de celular é um problema sério porque não é atrativo para o aluno. Para uma boa educação a distância, é preciso uma postura didática diferente, com capacitação dos docentes, com uma equipe interdisciplinar e apoio logístico.

Sendo assim, o profissional da educação precisa continuar buscando capacitações para sua formação como docente e desenvolvendo habilidades que o permitam aprimorar seu desempenho na educação à distância (EaD).

Nessa perspectiva, ainda se faz necessário que o professor desenvolva estratégias para manter o engajamento dos estudantes no ambiente virtual.

O online pode parecer um ambiente muito atrativo, mas, quando falamos em sala de aula, esse cenário tem suas desvantagens. No ensino remoto não existem a convivência com o resto da turma, os recursos físicos, nem mesmo as abstrações do ambiente.

As aulas a distância, mesmo com toda a diversidade de ferramentas, correm sérios riscos de se tornarem monótonas, entediantes, e isso eleva também as chances de aumentar o número de evasão escolar.

E, então, o que o professor precisa ter em mãos para manter suas aulas participativas, interativas e criativas?

Para o jornalista e autor do livro Guia de Sobrevivência da Educação Inovadora, Caio Dib, é necessário mudar o nosso modelo mental. Ele acredita que, mesmo ao final da pandemia, quando voltarem as aulas presenciais, as formas de se relacionar com o outro, com o tempo e com as novas possibilidades digitais, não vão voltar a ser as mesmas. Segundo Caio:

“A mudança no modelo mental é aproveitar esses desafios como oportunidades e tentar usar essas novas habilidades e competências ao nosso favor.”

Em relação aos professores, ele sugere o desenvolvimento de três novos modelos mentais, que são, na verdade, mudanças em atitudes e comportamentos arraigados. Confira:

1. Libere a
mão do controle:

O modelo online faz com que o controle das situações de aula não esteja centralizado na mão do professor.

No ambiente virtual as turmas podem ter dezenas de estudantes assistindo à aula, cada um em seu contexto particular e utilizando de ferramentas que também não podem ser totalmente controladas.

O professor precisa lidar com essa abrangência e saber que ele pode até não dominar todas essas variáveis, mas continua sendo a figura que facilita o aprendizado, sendo o responsável por agregar sua turma.

2. Descubra novas
formas de se relacionar:

As relações agora são digitais e nos comunicamos via e-mail, aplicativos e outras ferramentas digitais.

Nossas conversas se transformaram em “chats” e as trocas de olhares são simbolizadas por câmeras, que podem estar abertas ou fechadas, dificultando a percepção de engajamento dos estudantes.

O professor precisa se abrir a um novo jeito de falar, de escutar, de interagir, o que faz com que os profissionais repensem até mesmo como validar o

3. Mude sua
relação com o tempo

O cronograma de aula não é mais o mesmo, uma vez que o tempo em sala presencial difere do online. O que poderia ser considerado um período curto para uma aula expositiva em sala costuma ser bastante prolongado em um ambiente virtual.

Ficar uma hora ou mais à frente do computador não vem se mostrando tão efetivo.

Sem contar com os percalços do mundo virtual, como: demora para conectar, envio dos links de aula, conexão que cai, congela a câmera, desaparece o áudio, dentre outros. Isso tudo tem de estar na nova maneira do professor criar seu cronograma e estruturar seu tempo de aula.

Lidar com esse diferente formato deve ser visto como uma possibilidade de criar outras experiências de aprendizagem, sabendo que os caminhos são construídos à medida que são percorridos, podendo ser testados e adaptados para atingir os objetivos desejados.

A grande sacada é aprimorar, descobrir e exercitar novas competências, buscando acompanhar essa revolução digital de maneira mais eficaz. Para além das habilidades digitais, quais seriam as outras fundamentais a serem desenvolvidas pelo professor na atualidade

Como será a
formação do professor atual

As escolas e os educadores estarão profundamente transformados pela pandemia. E dificilmente voltarão a trilhar velhos caminhos. Começou um novo tempo para a educação, um tempo de reinvenção, em que o professor é parte essencial dessa transformação.

Ao voltarem para as salas de aula, professores e estudantes não serão mais os mesmos de quando saíram, pois eles passaram por muitas coisas. Os desafios agora serão outros, como também as habilidades necessárias para o novo professor da educação pós-pandemia!

O professor
precisa ser digital

A educação vinha, há alguns anos, clamando por mudanças que trouxessem para a sala de aula esse professor mediador do aprendizado e esse estudante protagonista do seu processo de obtenção de conhecimento.

As propostas de inovação do ensino presencial sempre vieram recheadas de ideias de como aproximar o mundo online, como misturar sala de aula com ferramentas tecnológicas, com o propósito de diversificar a forma de ensinar e aprender, impactando e transformando os estudantes.

Daí a preocupação ficava no campo de como inserir o digital no complemento das atividades presenciais. Nesse contexto, a pandemia chegou invertendo subitamente essa ordem de transformação.

Segundo Luciana Allan, diretora do Instituto Crescer, esse fator propulsor da tecnologia deu um start para uma revisão de toda a prática pedagógica existente. Em entrevista ao Portal CER, ela afirmou:

A grande questão que temos atualmente é metodológica, das práticas pedagógicas que precisam ser revisitadas. É preciso ter estratégias de ensino que sejam mais adequadas visando atender ao novo perfil de estudante e ajudar a desenvolver as competências cognitivas básicas – como leitura e escrita, raciocínio lógico, trabalho em equipe –, e também auxiliar os estudantes a desenvolver as competências socioemocionais e as competências digitais.

De forma repentina a rotina de estudantes, famílias, professores e gestores da educação mudou drasticamente. Em casa, imersos em sua realidade particular e com a distância física, esses sujeitos tiveram de despender esforços para manter os processos de ensino e aprendizagem vivos, o que demandou muita capacidade adaptativa.

Conceitos como mudança e transformação passaram a fazer parte de uma grande discussão.

O que precisávamos mudar, o que era preciso para manter o ensino presente nesse cenário?

E o que clamava por transformação, ou seja, uma nova maneira de fazer educação e ressignificar essa situação?

Para chegar a uma resposta sobre essas reflexões, os professores se confrontaram com a responsabilidade individual de estimular e desenvolver as próprias habilidades que seriam efetivas para cruzar esse momento.

As competências socioemocionais do professor ganham uma dimensão ainda mais importante no desenvolvimento pleno dos estudantes atualmente.

Tais competências podem ser definidas como um conjunto de habilidades que desenvolvemos ao longo da vida, de modo a lidar com nossas emoções à medida que somos submetidos a desafios cotidianos.

Trata-se da forma como nos comportamos conosco e com os outros, na busca de relações sociais saudáveis e na capacidade de pensar, sentir, decidir e agir na solução de problemas da forma mais positiva.

Quando trazemos o exercício das competências socioemocionais para o contexto educacional, as habilidades a serem desenvolvidas se tornam ainda mais decisivas para potencializar o futuro profissional dos estudantes.

As habilidades que se aprendem na escola são necessárias para poder cumprir o seu trabalho. Mas essas habilidades não serão o diferencial para a alta performance [...] O grande diferencial é a habilidade emocional de tomar decisões e de fazer escolhas.

Daniel Goleman - Palestra do SAS Summit, 2020

No contexto do ensino, o desenvolvimento saudável das emoções é abordado diretamente nas novas diretrizes propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), estando presente em todas as dez competências gerais.

Segundo a neurocientista e especialista em Psicopedagogia da Educação Marta Relvas, diante dessa nova realidade de ensino, é preciso que todos invistam na afetividade, na empatia e na compreensão do outro para o desenvolvimento integral dos estudantes.

Chegou o momento de exercitar as competências socioemocionais da BNCC, autoconhecimento, empatia, confiança e autoestima. Elas têm de deixar de ser encaradas como teóricas [...] O corpo humano aprende por meio de diversos estímulos sensoriais, não necessariamente só pelo toque. Se o educador consegue mostrar o que quer com seu tom de voz ou com o olhar diante da tela, também está enviando estímulos aos estudantes e eles podem aprender. Se compartilha respeito e afetividade, os estudantes percebem.

É necessário dialogar com esse novo currículo, entender as demandas dos professores e as necessidades dos estudantes, de tal forma que a abordagem da escola seja ampliada.

Competências essenciais para o professor

Pensando em como desenvolver nos professores as competências socioemocionais de uma forma prática, o Instituto Ayrton Senna desenvolveu uma matriz de cinco macrocompetências que se vinculam com os aspectos socioemocionais presentes no conjunto das dez competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Vamos conhecê-las:

1. Resiliência Emocional

Está relacionada à capacidade do professor de lidar com as próprias emoções, demonstrando equilíbrio e controle sobre suas reações emocionais, como, por exemplo, raiva, insegurança e ansiedade. Professores com maior nível dessa competência confiam mais em sua capacidade para desenvolver tarefas e regular suas emoções.

Por outro lado, aqueles com níveis mais baixos tendem a ser mais facilmente afetados pelas situações cotidianas, mostrando-se mais irritados, ansiosos e impulsivos.

Ao desenvolver a resiliência emocional, o professor conseguirá lidar com situações adversas com tranquilidade e positividade, regulando as próprias emoções diante das demandas profissionais e na interação com os estudantes, de modo a não gerar desgastes desnecessários a si mesmo e aos outros.

2. Abertura Ao Novo

O professor precisa estar aberto a novas experiências estéticas, culturais e intelectuais. Assim, ele desenvolve uma atitude investigativa, é curioso sobre o mundo, flexível e receptivo a novas ideias. Busca entender o funcionamento das coisas em profundidade, pensa de formas diferentes e desenvolve ideias criativas e não convencionais.

Professores mais abertos ao novo têm paixão por aprender, entender e explorar novas ideias. Interessam-se por perguntas e experiências dos estudantes, empolgam-se em compartilhar novos conhecimentos e inovam suas práticas de ensino. Utilizam múltiplas estratégias para explicar o conteúdo e criar diferentes exemplos de modo a contemplar a diversidade de estudantes em suas muitas dimensões.

3. Autogestao

O professor com essa competência possui a capacidade de ser organizado, esforçado, ter objetivos claros e saber como alcançá-los de maneira ética. Relaciona-se à habilidade de fazer escolhas na vida profissional, pessoal ou social, estimulando a liberdade e a autonomia.

Professores com autogestão bem desenvolvida têm mais facilidade em estruturar e gerenciar o processo de ensino e de aprendizagem, planejam com cuidado e antecedência suas aulas e atividades e monitoram o tempo, o que faz com que tenham mais sucesso na mediação dos conteúdos entre os estudantes.

4. Amabilidade

Amabilidade é uma macrocompetência que indica o grau com que o professor é capaz de agir baseado em princípios e sentimentos de compaixão, justiça, acolhimento; o quanto consegue se conectar com os sentimentos das pessoas e se colocar no lugar do outro. Refere-se à tendência a agir de modo cooperativo e não egoísta, preocupando-se em ajudar os demais e ser solidário.

5. Engajamento com os outros

Engajamento com os outros diz respeito à motivação e à abertura para interações sociais e ao direcionamento de interesse e energia ao mundo externo, pessoas e coisas.

Essa macrocompetência ajuda o professor a se manter aberto e estimulado para conhecer e dialogar com as pessoas, a se manifestar de maneira afirmativa e assumir a liderança quando necessário.

O professor que apresenta essa macrocompetência bem desenvolvida busca ativamente o contato social, é amigável, seguro, energético e entusiasmado.

A busca do professor pelo desenvolvimento dessas macrocompetências pode se dar por meio de cursos livres, novas graduações acadêmicas, treinamentos online, webinars, livros, artigos, etc. O essencial é que seja contínua, a fim de que se sinta cada vez mais bem preparado para ser o profissional que deseja e que o “novo normal” exige.

Precisamos de Educação Empreendedora para o professor

Proatividade em relação às mudanças, ter a mentalidade voltada à solução de problemas e ao serviço à sociedade de forma positiva, são características empreendedoras que o professor atual poderá usar para otimizar sua capacidade de ensinar.

Os professores que estão enfrentando esse ciclo de mudanças radicais intensificaram seu aprendizado em relação ao seu autoconhecimento e planejamento de projetos de vida.

Adaptar-se faz parte da rotina diária e fomenta a busca constante de melhoria, de aperfeiçoamento, de atualização.

O Instituto Êxito de Empreendedorismo e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) publicaram, em parceria, a pesquisa Lições de Empreendedorismo para o Alcance de uma Educação Emancipadora e Transformadora.

O objetivo foi mostrar a importância do empreendedorismo na formação de estudantes e professores da rede pública de ensino médio.

Pouco mais da metade dos 2.291 professores de todo o território nacional que fizeram parte da pesquisa nunca participaram de um curso sobre empreendedorismo, e esse percentual é ainda maior entre os docentes vinculados à formação geral.

Tais dados apontam uma necessidade de qualificação para esses agentes fundamentais para a Educação Empreendedora.

Durante a pandemia, dos professores que vinham trabalhando as próprias competências empreendedoras, quantos não se utilizaram dos obstáculos da atualidade para desengavetar planos e iniciar algo novo?

Falar com vários estudantes no ambiente virtual aumenta a familiarização com as ferramentas, mostra-nos que o mundo dos quais os estudantes já nascem sabendo interagir, não é assim um bicho de sete cabeças.

Canais no YouTube, perfis em redes sociais, criação de cursos online, dentre outras coisas, tornaram-se cada vez mais comuns e presentes na vida presente e futura dos professores.

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Nada será como era antes

Para o analista de Educação Empreendedora do Sebrae/MG Rafael Gregório, precisamos desconstruir essa visão de que o futuro é onde moram as possibilidades de um mundo melhor, em que as possibilidades serão criadas pelas tecnologias digitais.

Segundo ele, as transformações prometidas pelo futuro já podem ser vistas aqui, no tempo presente.

Precisamos mudar agora! Empreender as transformações que o mundo precisa hoje.

Sobre como a Educação Empreendedora pode ajudar a criar esse futuro desejável, onde haja maior inclusão e redução das desigualdades, Gregório afirma de forma conclusiva:

Uma Educação Empreendedora para transformar e erradicar as desigualdades precisa estar conectada ao desenvolvimento de tecnologias digitais, sociais e humanas. Precisa ser potencializada através do afeto, do amor e da solidariedade, da nossa capacidade de se comprometer coletivamente com a resolução dos problemas que afetam nosso planeta, nossa casa. A Educação Empreendedora tem de ser resolutiva e transformar vidas.

A escola e o professor estão em um processo de quebra de paradigmas e de reinvenção, precisando encontrar uma nova forma de ensinar, não mais centrada na sala de aula nem nos métodos de ensino tradicionais.

Aquilo que era proclamado em estudos de um ensino mais personalizado, em que o aluno se torna protagonista do seu processo de aprendizagem, encontra neste momento um espaço de desenvolvimento.

Mas será que os muros vão conter essa revolução digital ?

Certamente que não.

O professor com mentalidade empreendedora não vai retroceder à inovação.

Os ambientes vão se integrar, interagir e cooperar entre si. As mudanças trazidas pelo ensino remoto continuarão a contribuir na educação.

Uma vez que esses professores tenham assimilado a mentalidade e o comportamento empreendedor, sua relação com a educação e com a formação dos estudantes não retrocede.

A Educação Empreendedora trazida por essa nova versão do professor vai continuar impactando a ação desse profissional, seus estudantes e a sociedade ao redor.

A dinâmica atual do ensino nos mostra um professor multifacetado, que trabalha com seus estudantes competências técnicas, cognitivas e comportamentais.

Quando os estudantes se identificam com as diversas possibilidades de aplicação prática das teorias, enquanto se enxergam como protagonistas da própria vida, o ensino se coloca num caminho que só tende a avançar na direção do futuro.

Dica bônus

6 atitudes que ajudam o professor com seus estudantes ‘Z ’

Criar relacionamentos
significativos com os estudantes

Crianças e adolescentes precisam se sentir compreendidos, vistos e sentidos, independentemente de como aprendem.

Bonus 01
Bonus 02

Estimular os estudantes
por meio de mentorias

Mentoria é um processo de trabalho realizado de maneira mais individualizada com o estudante e tem, de modo geral, o objetivo de desenvolver sua autonomia, buscando a motivação no processo de aprendizagem, dentro e fora da escola.

Ensinar valores
associados à boa cidadania

Carinho, cooperação, compaixão, bondade, trabalho em equipe e a importância de se relacionar com os colegas de classe são poderosos criadores de empatia.

Bonus 03
Bonus 04

Expor os estudantes a diferentes
opiniões e visões de mundo

Cultivar a curiosidade sobre como indivíduos e grupos de pessoas veem o mundo de maneira diferente pode expandir os limites intelectuais, interpessoais e emocionais de crianças e jovens.

Vincular o currículo
ao mundo real

Os professores que tecem aprendizado significativo em suas aulas ajudam os estudantes a transformar empatia em ação, desenvolvendo habilidades de pensamento crítico, planejamento, organização e resolução de problemas.

Bonus 05

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