Pesquisa científica e inovação: conheça a experiência de uma escola no RN

As ciências têm o potencial de capacitar estudantes a ser agentes transformadores, capazes de pensar em soluções inovadoras e desenvolver tecnologias para intervir na realidade social. Mas, para isso, é importante que as pesquisas feitas em sala de aula não sejam um fim em si mesmas. Os conteúdos das pesquisas científicas escolares são tão ricos que, quando trabalhados de forma prática e aplicável, podem tornar-se ferramentas para a resolução de problemas do dia a dia.

Esse é o caso da iniciativa liderada pelo professor Leandro Costa, do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), na cidade de Ceará-Mirim, que conseguiu engajar turmas do 3º ano a utilizar conhecimentos acadêmicos visando resolver problemas reais da comunidade.

A ideia deu tão certo que vários projetos desenvolvidos durante as aulas foram apresentados pelos alunos em mostras regionais, nacionais e até em uma competição de projetos de Ciências em Hong Kong, na China. A iniciativa também rendeu ao docente premiação na 11ª edição do prêmio Professores do Brasil, na categoria Ensino Médio, Região Nordeste. O professor recebeu o incentivo de sete mil reais, um troféu e uma viagem patrocinada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

E o melhor de tudo é que você pode se inspirar e adaptar a ideia para a sua escola. Conheça o projeto em detalhes a seguir.

Instigando a observação científica

A iniciativa surgiu justamente da inquietação do professor ao ver que seus alunos estavam distantes das ciências. “Eles não tinham o que fazer com os conteúdos”, conta Leandro.

Obstinado a mostrar como tais conhecimentos poderiam se transformar em ferramentas de inovação, o professor propôs aos 52 estudantes que observassem atentamente os problemas da sua comunidade e pensassem em respostas adequadas a eles, aplicando o método científico. Desse exercício simples, mas desafiador, surgiram 13 projetos multidisciplinares de pesquisa e intervenção, cada um desenvolvido por grupos de dois a cinco estudantes.

Para auxiliar os alunos, foram ministradas aulas de metodologia científica e sugeridos temas dentro da disciplina sobre os quais eles poderiam trabalhar.

Pesquisa como ferramenta de inovação

Foram quatro etapas de elaboração dos projetos, cada uma com duração de dois meses: definição do problema científico; elaboração e apresentação do projeto; experimentação, coleta e análise de dados; e elaboração do Relatório Final.

No fim de cada bimestre, os grupos deveriam cumprir metas avaliativas, como preenchimento do diário de bordo e envolvimento de outras disciplinas no projeto. Docentes das áreas de Informática, Química e Sociologia agiram como coorientadores de alguns grupos.

Ao longo do ano letivo, o professor Leandro identificava dificuldades dos alunos e colocava à disposição ferramentas para facilitar o desenvolvimento dos trabalhos. A introdução da técnica de brainstorming ajudou os jovens a levantar questionamentos sobre os temas abordados. Já a pesquisa de bibliografia científica na internet serviu para amenizar a dificuldade com a escrita.

A programação constava de 12 horas/aula cedidas para as atividades. Os trabalhos foram além do ambiente escolar, e alguns jovens passaram a dedicar todo o tempo livre a eles.

Da iniciativa saíram trabalhos como o Educoambiental, aplicativo android para reeducação ambiental, e um estudo sobre os recursos hídricos das cisternas da região do Mato Grande (RN). Este último, apresentado na competição de projetos de Hong Kong, indicava ferramentas tecnológicas de baixo custo para reduzir a propagação de agentes causadores de doenças nas cisternas.

“Os alunos perceberam que podem utilizar o conteúdo que aprendem em várias matérias, não só na Biologia, para resolver problemas ambientais e sociais. A inovação começa a partir do momento em que essas tecnologias vão sendo produzidas”, afirma o professor.

A fim de conhecer o passo a passo da execução do projeto do professor Leandro, visite o site do prêmio Professores do Brasil, que conta os detalhes da iniciativa. Outra maneira de criar projetos multidisciplinares baseados na prática escolar é apostar no ensino focado em serviço, ou no service based learning. Saiba mais baixando nosso e-book sobre o tema.

leia também

7 formas de criar mais engajamento na educação infantil
continuar lendo
Educação 5.0 x 4.0 – entenda as diferenças entre os conceitos
continuar lendo
Conheça 4 iniciativas de Educação Empreendedora premiadas no Brasil
continuar lendo

Quer ficar sabendo de tudo antes? Assine a
newsletter e receba novidades no seu e-mail.

x
área restrita
Usuário
senha
×