Projeto Legado: empreendedorismo social para jovens da rede pública

“O empreendedorismo tem várias dimensões, e a mais significativa é o bem-estar do outro, a diferença que provoca na vida das pessoas”, afirma Irene Bernardo Diniz Filha, professora do Núcleo de Empreendedorismo Juvenil (NEJ) do Sebrae, no Plug Minas. Há quatro anos, Irene conduz o Projeto Legado Empreendedor dentro da disciplina de Empreendedorismo e Inovação na Escola.

Por meio dessa iniciativa de empreendedorismo social, os alunos aprendem competências como trabalho em equipe, planejamento, relacionamento interpessoal, comunicação, autonomia e foco em resolução de problemas; tudo isso ao idealizar e implementar ações sociais em instituições ao seu redor.

Iniciativas como essa são ótimas oportunidades para que adolescentes e jovens entendam o que é empreender, desenvolvam as habilidades citadas e acreditem que podem gerar transformação social nos lugares onde vivem. Leia o post e inspire-se! O modelo pode ser  aplicado na sua escola.

O que é ser um empreendedor social

Antes de propor o projeto aos alunos, Irene sempre busca quebrar o estereótipo do empreendedor. “Quando eu chego falando que empreendedor não é só o dono de empresa, que isso não é necessário para praticar o empreendedorismo, eles me olham com cara de interrogação e até perguntam ‘você é louca, professora?’”, diverte-se.

Uma vez que aprendem que empreendedorismo tem mais a ver com ter uma visão e implementá-la, sair da zona de conforto para fazer a diferença, os alunos se familiarizam com o conceito de empreendedorismo social. Nele, a lógica empreendedora é utilizada para provocar mudanças sociais, oferecer soluções e causar o bem à sociedade.

A professora também sempre exibe o documentário “Quem se Importa”, da cineasta Mara Mourão, a fim de mostrar que o empreendedor social não precisa ter muito dinheiro para agir. E esse trabalho educativo é especialmente importante para os alunos do NEJ, que são estudantes ou ex-estudantes de escolas públicas, vindos de contextos de vulnerabilidade social. Nesse momento, eles começam a perceber que são capazes de levar coisas boas à comunidade ao seu redor.

Deixando um legado mediante o empreendedorismo social

A parte prática do projeto Legado começa com a divisão da turma em duas equipes, que ficam com cerca de 15 alunos cada uma. Eles então partem para conhecer a realidade social de onde vivem, mapeando associações, instituições de caridade, hospitais e outros ambientes que podem beneficiar-se de projetos.

Assim, eles identificam necessidades dos locais e levantam ideias para resolvê-las. Cada grupo debate as possibilidades e opta por um projeto, sempre levando em conta se é realmente viável executá-lo até o final. De acordo com Irene, os projetos precisam necessariamente resolver o problema levantado, e não somente minimizá-lo. São ações que buscam deixar um legado.

A partir daí, os alunos desenvolvem uma estratégia de arrecadação de recursos, que podem ser a venda de rifas, bombons, balas, alfajor, sanduíches… Eles também firmam parcerias com empresas para conseguir materiais.

Toda a execução do projeto dura 60 dias, e a maior parte da dedicação é extraclasse, e dura em média 40 horas. Dentro de sala, são gastas 8h/aula para que os alunos se organizem e recebam orientação. “E a autonomia deles é total. Eles que botam a mão na massa, e eu oriento e acompanho”, afirma a professora.

Ao final, os alunos precisam entregar um relatório que contenha fotos do que fizeram e depoimentos. Eles também costumam gravar vídeos sobre as ações e apresentá-los na sala. Até hoje, mais de 80 projetos já foram desenvolvidos pela disciplina. Neste ano, por exemplo, um dos projetos foi uma pequena reforma de um hospital, onde os alunos lixaram e pintaram todos os berços e compraram poltronas para amamentação.

A professora Irene incentiva professores de escolas de ensino básico a também realizar projetos como este. Para isso, a dica é confiar nos alunos. “O professor precisa acreditar no que está propondo, no quanto os alunos são capazes e nas ideias que eles têm”, diz.

E aí, o que acha de incentivar seus alunos a também deixar um legado empreendedor onde vivem? Com tal experiência, eles podem aprender o que é empreendedorismo social, desenvolver competências empreendedoras e perceber como podem ser agentes transformadores nos ambientes onde estão inseridos.

Se quiser saber mais de empreendedorismo social, veja esta entrevista com Guilhermina Abreu, ex-aluna do NEJ, vencedora do Prêmio Educação Empreendedora de 2017, concurso promovido pelo Sebrae e pela Endeavor.

Aprovado. 

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