Saúde mental dos estudantes: maneiras de lidar com o assunto durante a pandemia

A pandemia de 2020, provocada pela Covid-19, tem apresentado diversos desafios à nossa sociedade, inclusive para a saúde mental da população. O isolamento social, a  perspectiva de vacinas ou cura, a instabilidade econômica, além da taxa de mortalidade do novo coronavírus, têm impactado a vida de milhões de pessoas. No mundo todo, estudos apontam para o aumento dos sintomas de depressão, bem como de maior consumo de bebidas alcoólicas.

O estresse, a ansiedade e toda a tensão característica do período pelo qual estamos passando vêm impactando também a saúde mental dos estudantes. É preciso que os educadores estejam preparados para lidar com esse cenário de forma empática e responsável. Isso para evitar o desenvolvimento de problemas mais sérios como quadros depressivos, distúrbios alimentares, transtorno de ansiedade, dentre outros. A seguir, vamos compreender como a pandemia tem afetado a saúde mental dos estudantes e de que maneira os professores podem agir diante dessa situação.

Saúde mental dos estudantes: um problema agravado na pandemia

A saúde mental dos estudantes não é uma pauta nova que vem sendo discutida apenas por causa dos impactos da pandemia. Afinal, é na escola que os alunos passam por uma etapa importante do processo de socialização. E é na infância e na adolescência que eles aprendem a lidar com frustrações, inseguranças, intimidação, pressão familiar e social, racismo, machismo, homofobia e muitos outros. Tal processo de descoberta e adaptação pode acarretar diversos problemas psicológicos, impactando a saúde mental dos alunos.

No entanto, a pandemia tem, sim, agravado esse problema. Além dos desafios citados acima, os alunos estão longe dos seus amigos e sendo obrigados a se adaptarem a uma nova rotina de estudos completamente diferente da a que estão acostumados.

A vulnerabilidade social é outro desafio grave durante a pandemia. Alguns alunos dependem da merenda escolar para obter uma alimentação saudável e tinham, na escola, o único espaço de socialização e convívio. Outro motivo que agrava a situação é que muitos deles não têm acesso à tecnologia para acompanhar as aulas. O isolamento social e o aumento do desemprego também são considerados um fator agravante para a violência doméstica e o aumento dos casos de trabalho infantil, gerando ainda mais pressão sobre esses jovens.

Impactos na educação durante a pandemia

Uma pesquisa realizada pelo Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), em parceria com diversas instituições, ouviu mais de 33 mil jovens, entre 15 e 29 anos, por todo o país, a fim de estudar os impactos provocados pela pandemia da Covid-19. O resultado indica que 70% dos entrevistados afirmam que sofreram piora em seu estado emocional. Seja pelo medo de perder um familiar, seja pelo medo de ser infectado pelo vírus.

O estudo mostrou também que 30% dos entrevistados pensam em abandonar os estudos e quase metade afirma considerar não realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Por esses dados, é possível ver o quanto a pandemia está impactando a saúde mental dos estudantes e o quão grave é o cenário.

Adaptando-se a uma nova realidade

Durante esse período, os professores e os educadores precisam se adaptar às mudanças necessárias de forma realista. O foco não deve ser recuperar o conteúdo e pressionar os alunos a apresentar rendimento igual ou maior do que em sala de aula. Ao tentar  compensar a falta das aulas presenciais e colocar em prática o ensino a distância com mais aulas, trabalhos e avaliações, a escola corre o risco de provocar danos psicológicos nos alunos.

Isso em razão de o ensino virtual não possuir o mesmo potencial de engajamento e aprendizagem, uma vez que os estudantes não estão acostumados a ele. O ambiente familiar está sobrecarregado com o isolamento social, forçando famílias a reformular toda a sua rotina. A privação de momentos de lazer com os amigos também aumenta o estresse dos alunos. E criar um ambiente de produtividade sem empatia e compreensão, ignorando as dificuldades as quais os alunos estão enfrentando, pode ser extremamente prejudicial para a saúde mental dos estudantes.

O poder da comunicação

É  importante que a saúde mental dos estudantes venha em primeiro lugar. É imprescindível adaptar as aulas sempre pensando no engajamento com os alunos, buscando diminuir cobranças e incentivar a participação deles. Estimular o contato com os colegas por meio de trabalhos em grupo, por exemplo, é uma boa estratégia para evitar a sensação de solidão. Vale também abrir espaço para que os alunos falem, compartilhem suas experiências, sensações e dificuldades, para que seja possível trabalhá-las ao longo do período letivo.

O diálogo com os pais precisa ser fortalecido durante o isolamento social, de forma que a família e a escola estejam engajadas no processo de adaptação dos alunos. Além disso, é fundamental ser honesto com as crianças e os adolescentes sobre o que está acontecendo. Isso porque, embora eles possam não entender de fato a gravidade ou os impactos da pandemia, eles têm uma forte percepção emocional do ambiente. Por isso, devem estar cientes dos desafios que podem enfrentar durante o isolamento social, além de aprender estratégias para lidar com a ansiedade, a frustração e o estresse.

Iniciar uma conversa também é de grande valor a fim de que os estudantes sintam abertura para falar dos problemas pelos quais estão passando. Isso permite que eles saibam que podem pedir ajuda se necessário, tornando mais fácil identificar se o jovem precisa de um acompanhamento psicológico, por exemplo.

Como vimos, a saúde mental dos estudantes é uma pauta importantíssima e que exige prioridade no sistema educacional durante esta pandemia. Se a escola e a família não se atentarem para esse problema, há riscos do desenvolvimento de danos psicológicos para milhares de alunos no Brasil.

Gostou do nosso artigo? Leia também como cuidar da saúde mental dos professores em tempos difíceis e continue estudando maneiras de se adaptar à pandemia da Covid-19.

 

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