Conheça a Escola 42, escola de programação no Vale do Silício sem professores

Formar profissionais autônomos e mais preparados para o mercado de trabalho e para o empreendedorismo: esses foram os objetivos que nortearam a fundação da Escola 42 por Xavier Niel, dono da empresa de telecomunicações Iliad, em 2013, na França. A instituição ensina programação gratuitamente, utilizando um método em que não existem professores, grade de disciplinas, horários fixos ou notas.

Já existem unidades na Romênia, na Ucrânia, na Rússia, na Bélgica, na Moldávia, no Marrocos, na África do Sul, na Holanda e recentemente no Brasil, que recebeu uma unidade no Rio de Janeiro, em 2018, e outra em São Paulo, neste ano. Antes disso, alguns jovens brasileiros já tiveram a chance de participar de turmas da Escola 42 em outros locais. Um deles é Dante Nolasco, ex-aluno da Escola de Formação Gerencial do Sebrae, que, após frequentar as aulas da 42 no Vale do Silício, nos Estados Unidos, fundou o Projeto Marvin, ou seja, curso para ensinar outros jovens a se tornarem autônomos e protagonistas no próprio aprendizado, com um método que se assemelha ao que viveu na instituição. Neste post, veja como funciona a Escola 42 e inspire-se!

Aprendizagem autônoma e colaborativa

Autonomia é a palavra-chave da Escola 42. Sem professores, a ideia de Niel foi tentar replicar no momento do aprendizado da técnica profissional o mesmo contexto que as pessoas encontram no dia a dia de trabalho, em que geralmente não há ninguém para orientá-las, e elas têm de saber encontrar soluções sozinhas, contando apenas com a ajuda de colegas semelhantes a eles.

Por isso, na Escola 42 os estudantes aprendem sozinhos, recebendo auxílio e feedbacks dos próprios colegas sobre seus projetos, a fim de melhorá-los. A ideia, com isso, é formar profissionais mais independentes, que saibam se virar sozinhos, e que sejam mais colaborativos. Em entrevista à BBC, o chefe de operações da Escola 42 na Califórnia afirmou: “O retorno que temos recebido dos empregadores é que os jovens que formamos são mais preparados para buscar informações por si mesmos, por exemplo, sem precisar perguntar ao supervisor o que devem fazer”.

Incentivando o aluno a adotar uma postura ativa em toda a aprendizagem, a estratégia pedagógica da Escola 42 alinha-se à educação empreendedora, porque é voltada para formar indivíduos que sejam ativos e atuantes na sociedade. Além disso, propicia que os alunos ajam com proatividade e autonomia no mercado de trabalho e também que estejam preparados para se lançarem em iniciativas empreendedoras.

Formação além da técnica na Escola 42

A instituição ensina programação a alunos dos quais não é exigido nenhum conhecimento prévio sobre o assunto. Para isso, é utilizada uma plataforma gamificada – que usa elementos e a lógica dos jogos – a fim de que o estudante aprenda no próprio ritmo, de maneira fluida e engajadora. O ensino é baseado em projetos, e, à medida que vai avançando, a pessoa acumula pontos e desbloqueia missões cada vez mais complexas. O curso não tem duração predeterminada, uma vez que depende do ritmo de cada um: pode durar de 3 a 5 anos, terminando sempre quando a pessoa atinge o nível 21 da plataforma.

A Escola 42, porém, não está preocupada apenas em ensinar a técnica das linguagens de programação de computadores. Para eles, “um diploma não é suficiente pra dizer que você saiba programar”, já que também são necessárias habilidades como resolução de problemas, criatividade, determinação e trabalho em equipe visando formar um bom profissional na área. Sendo assim, o programa busca também estimular os estudantes a desenvolver  competências socioemocionais – as chamadas soft skills.

A Escola 42 é uma instituição inovadora, que aplica conceitos como aprendizagem baseada em projetos, gamificação, soft skills, colaboração e autonomia de maneira extensa em seu currículo, abrindo uma possibilidade de formação diferente e que promete bons resultados. O método, embora desperte opiniões controversas ao retirar completamente a figura do professor, incentiva os participantes a realmente ter proatividade e a adotar postura ativa no âmbito escolar, o que deverá se refletir em outros aspectos da vida em sociedade. Buscando se aprofundar no assunto, conheça também o método da Le Wagon, nesta entrevista com Fernando Americano, em que ele comenta sobre a programação como uma linguagem necessária para o mercado de trabalho do futuro e para a educação empreendedora.

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