Empreendedorismo: você sabe mesmo o que significa?

Quando a palavra empreendedorismo vem à cabeça, a maioria das pessoas pensa apenas em uma coisa: abrir o próprio negócio e gerenciá-lo. Mas será que é mesmo só isso? O que está por trás? Quais outras questões podem estar envolvidas no ato de empreender que nem sequer imaginamos?

Antes de tudo, é importante entender que o empreendedorismo é um campo que abre muitas possibilidades de estudos; porém, a definição do termo ainda não é exatamente concreta. Isso porque há diferentes linhas analisadas por diversos autores que podem contribuir para o nosso entendimento. Explicamos melhor!

As diferentes abordagens sobre os campos de estudo do empreendedorismo

No artigo The promise of entrepreneurship as a field of research, Scott Shane e Sankaran Venkataraman concluem que há três abordagens distintas de campos de estudos do empreendedorismo – a do domínio, a integradora e a multipesquisa. Mas o que significa cada uma delas?

1 – A abordagem do domínio

Nesse caso, os estudos e as análises sobre o empreendedorismo se concentram apenas em um domínio específico do conhecimento.

2 – A abordagem integradora

Como o próprio nome sugere, a linha integradora faz referência às pesquisas feitas a partir da integração do empreendedorismo a outras áreas do conhecimento.

3 – A abordagem da multipesquisa

Já na abordagem da multipesquisa, surge a necessidade de distribuir os pesquisadores em grupos mais homogêneos – ou seja, compostos de integrantes de áreas afins –, que se dedicam a áreas específicas do estudo.

empreendedorismo

Os conceitos do empreendedorismo

Os diferentes campos de estudos acerca do empreendedorismo revelam também que esse ainda é um assunto com muitas nuances. Há a necessidade de desenhar caminhos mais claros para uma definição sucinta. Contudo, algumas definições merecem atenção e podem ditar caminhos assertivos.

No artigo The Evolving Domain of Entrepreneurship Research, publicado na revista Small Business Economics, os outros autores definem que:

“O empreendedorismo se refere fundamentalmente a uma função econômica que é levada a cabo por indivíduos, empreendedores, agindo autonomamente ou dentro de organizações, perseguindo e criando novas oportunidades e introduzindo suas ideias no mercado, sob incerteza, tomando decisões sobre a localização, design de produto, uso de recursos, instituições e sistemas de recompensa. A atividade empreendedora e os empreendimentos são influenciados pelo ambiente socioeconômico e resultam, em última análise, em crescimento econômico e bem-estar humano.

Já a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), no Fostering Entrepreneurship, um relatório publicado em 1998, coloca o empreendedorismo como um fator “central para o funcionamento das economias de mercado”. Além disso, para a definição de empreendedores, o estudo diz que eles “não somente buscam e identificam oportunidades econômicas potencialmente lucrativas, como também se dispõem a assumir riscos de que suas intuições estejam corretas”.

Com base nessas definições, é perceptível que observar atividades econômicas e usar a criatividade e o olhar inovador para impulsioná-las (e atingir um objetivo) têm tudo a ver com o empreendedorismo e com uma postura empreendedora, certo? O resultado disso pode se dar de diversas formas – e não apenas abrindo negócios, mas também propondo novos produtos e projetos, reestruturando organizações e por aí vai.

Diferentemente do que o senso comum dissemina, empreender não é apenas ter um negócio. É possível ser empreendedor – e estimular a postura empreendedora – em diferentes campos da vida, não somente em uma posição de dono ou gestor. Um professor ou aluno (veja a entrevista com Guilhermina Abreu) que identifica oportunidades em sala de aula ou um colaborador de uma empresa que reconhece oportunidades de melhoria e aponta proposições também está empreendendo. Em linhas gerais, podemos dizer que atingir um propósito por meio da prática que surgiu de uma observação crítica também está relacionado ao empreendedorismo.

Empreendedorismo por necessidade X Empreendedorismo por oportunidade

Os estudos também revelam esses dois tipos diferentes de empreendedorismo. O primeiro deles, por necessidade, ocorre quando a pessoa não encontra oportunidades de emprego ou recolocação na carreira e, por isso, é motivado a gerar o próprio trabalho, que vai resultar em renda. Nesse caso, as atividades tendem a ser mais tradicionais, como a abertura de pequenos comércios ou a oferta de serviços “comuns”. No caso da oportunidade, há uma visão que vai além: o indivíduo enxerga a oportunidade em um contexto que não necessariamente foi feito para isso, aplicando possibilidades de renda e lucro em cima daquilo. Pense, por exemplo, em uma startup que oferece um produto inovador e diferenciado, que nunca foi criado ou desenvolvido em outro lugar do mundo. Nesse tipo de empreendedorismo, o responsável tem mais expectativa de crescimento do que aqueles que empreendem por necessidade.

Acha que o conteúdo esclareceu melhor o termo empreendedorismo para você? Aproveite para ver um exemplo de empreendedorismo social e entender como ele pode ser colocado em prática.

leia também

7 formas de criar mais engajamento na educação infantil
continuar lendo
Educação 5.0 x 4.0 – entenda as diferenças entre os conceitos
continuar lendo
Conheça 4 iniciativas de Educação Empreendedora premiadas no Brasil
continuar lendo

Quer ficar sabendo de tudo antes? Assine a
newsletter e receba novidades no seu e-mail.

x
área restrita
Usuário
senha
×